Nova Lei da Nacionalidade também poderia afetar portugueses que vivem no Brasil

A Assembleia da República, em Lisboa, aprovou nesta quarta-feira (1º) a nova Lei da Nacionalidade, com regras mais restritivas para a obtenção da cidadania portuguesa - especialmente para cidadãos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), como os brasileiros. Mas as novas regras também poderiam afetar os milhares de portugueses que vivem no Brasil, caso Brasília adote o princípio de reciprocidade.

2 abr 2026 - 16h40

Luís Guita, correspondente da RFI em Lisboa

A Assembleia da República de Portugal aprovou uma nova versão da lei que restringe o acesso à cidadania. (imagem ilustrativa).
A Assembleia da República de Portugal aprovou uma nova versão da lei que restringe o acesso à cidadania. (imagem ilustrativa).
Foto: ANTÓNIO COTRIM/LUSA / RFI

No Parlamento, 152 deputados dos partidos PSD, Chega (extrema direita), Iniciativa Liberal e CDS-PP votaram a favor da lei. Sessenta e quatro parlamentares do PS, Livre, PCP, Bloco de Esquerda e PAN votaram contra. O único deputado do Juntos Pelo Povo se absteve.

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A proposta cria regras mais restritivas para obtenção da nacionalidade portuguesa e se soma às mudanças já implementadas na Lei de Estrangeiros. 

O tempo mínimo de residência legal exigido para pedir a cidadania aumenta de cinco para sete anos, que serão contados a partir da emissão da autorização de residência pela Agência para a Integração, Migrações e Asilo - sem contar o período de espera. Para os demais estrangeiros, o prazo passa a ser de dez anos.

Com a nova lei, crianças nascidas em território português só terão direito à cidadania após cinco anos com título de residência válido em Portugal. Pais estrangeiros de crianças nascidas no país também perdem o direito de pedir cidadania em função da paternidade.

Outra mudança importante é que o período de espera pela autorização de residência em Portugal não será mais contabilizado para o tempo mínimo exigido. Na prática, os anos só passam a contar após a emissão efetiva do título de residência.

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A nova legislação também permite a retirada da cidadania portuguesa de estrangeiros condenados a penas de cinco anos ou mais por crimes graves. O limite de pena que impede a aquisição da nacionalidade cai de cinco para três anos de prisão.

O regime especial que facilitava o processo para descendentes de judeus sefarditas deixa de existir.

Reciprocidade

Segundo a socióloga e ativista angolana Luzia Moniz, a nova lei cria um problema que não existia, já que não havia entraves reais relacionados à legislação da nacionalidade. Para ela, a extrema direita está ditando a agenda política, e o PSD, que governa, apenas segue essa linha.

A socióloga ressalta que a lei torna mais difícil a obtenção da nacionalidade para cidadãos da CPLP e cria um descompasso entre a facilidade com que portugueses conseguem cidadania no exterior e as dificuldades enfrentadas por estrangeiros em Portugal.

No entanto, caso o Brasil adote o princípio da reciprocidade nas relações internacionais, a medida pode ser mais dura para os portugueses do que para os brasileiros. Afinal, há mais cidadãos oriundos do país europeu vivendo no Brasil do que brasileiros em Portugal, frisa a socióloga. 

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O texto agora será analisado pelo Executivo. O presidente da República, António José Seguro, tem três opções: promulgar a lei, vetá-la politicamente e devolvê-la ao Parlamento ou solicitar ao Tribunal Constitucional uma fiscalização preventiva de sua constitucionalidade.

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