Acompanhado de sua esposa, Brigitte, Macron aterrissou em Tóquio no final da tarde desta terça-feira, pelo horário local, sob forte chuva e rajadas intensas de vento, antes de uma noite dedicada à cultura popular japonesa e de um encontro previsto com Kunihiko Moriguchi, renomado pintor de quimonos. Os encontros com as autoridades terão início na quarta‑feira (1°), quando o presidente francês se reunirá com a ultraconservadora primeira‑ministra japonesa, Sanae Takaichi.
Embora esta seja sua quarta viagem ao Japão, essa é a primeira vez que Macron realiza uma visita inteiramente dedicada às relações bilaterais no país. Após uma conversa à margem do G20 em 2025 entre ele e Takaichi, há uma expectativa sobre "a continuidade das conversas visando um apaziguamento da situação no Irã", afirmou uma fonte da diplomacia japonesa.
"A crise no Oriente Médio estará no centro de nossas discussões", confirmou a presidência francesa antes do início viagem de Macron. Segundo o comunicado, o líder centrista e Takaichi discutirão uma forma de "encontrar soluções comuns". A nota enfatiza uma possível cooperação sobre a iniciativa francesa para reunir uma coalizão de "voluntários" para negociar o fim do bloqueio do Estreito de Ormuz.
O conflito desencadeado há um mês pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã, e a resposta de Teerã, provocaram a paralisação parcial desta passagem marítima no Golfo, pela qual transita, em condições normais, grande parte do combustível produzido no Oriente Médio. O Japão depende dessa região para 95% de suas importações de petróleo bruto — uma preocupação que também ocorre na Coreia do Sul, onde Macron desembarca na quinta‑feira.
Preparação para a próxima cúpula do G7
O G7, presidido neste ano pela França — que organizará uma cúpula em junho — e do qual o Japão também é membro, vem multiplicando mensagens conjuntas. Na segunda‑feira (30), um comunicado do grupo afirmou estar determinado a "tomar todas as medidas necessárias" para estabilizar o mercado de energia diante da disparada dos preços do petróleo bruto.
Além de tratar da crise geopolítica, o presidente francês quer usar a visita para destacar "a atratividade da França", segundo sua equipe. Acompanhado de muitos dirigentes de empresas francesas, ele deve se reunir na quarta‑feira, à margem de um fórum econômico, com os líderes da SoftBank — gigante dos investimentos em inteligência artificial —, da Iwatani, empresa japonesa que investiu na startup francesa Carester, e também do fabricante de equipamentos de pesquisa Horiba.
Os dois países também pretendem assinar um programa conjunto sobre energia nuclear civil no Japão, na continuidade de uma cooperação já bem estabelecida. Paris e Tóquio planejam ainda reforçar as parcerias nos setores espacial, da pesquisa e das novas tecnologias. Na presença de vários ministros franceses — entre eles os da Defesa e das Relações Exteriores, Catherine Vautrin e Jean‑Noël Barrot — também está previsto um capítulo dedicado à segurança.
O chefe de Estado também vai se reunir com figuras da cultura pop e do mangá. Um dos pontos altos da visita deve ser o encontro do casal presidencial francês com o imperador e a imperatriz do Japão para um almoço, pouco antes de embarcar para a Coreia do Sul.
RFI com agências