Investigado por corrupção, ex-ministro de Energia da Ucrânia é preso ao tentar deixar o país

A Agência Nacional Anticorrupção da Ucrânia (NABU) anunciou neste domingo (15) a prisão do ex-ministro de Energia, German Galushchenko, enquanto ele tentava deixar o país. Galushchenko havia renunciado ao cargo no ano passado após a descoberta de um enorme esquema de corrupção.

15 fev 2026 - 13h26

"Hoje, ao cruzar a fronteira, investigadores da NABU detiveram o ex-ministro de Energia em conexão com o caso Midas", disse a agência em um comunicado, referindo-se ao escândalo que abalou o setor energético ucraniano no ano passado.

O nome de Galushchenko não foi mencionado no comunicado, mas ele ocupou o cargo de ministro de Energia em 2025. "As investigações iniciais estão em andamento, conduzidas de acordo com a lei e as sanções judiciais", acrescentou a NABU.

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Galushchenko estava entre os ministros que renunciaram em novembro de 2025 depois que a NABU revelou uma vasta rede de lavagem de dinheiro no setor energético da Ucrânia. Os investigadores suspeitam que um aliado do presidente Volodymyr Zelensky esteja por trás do caso.

Segundo a agência, membros dessa rede arquitetaram um esquema de suborno estimado em US$ 100 milhões para desviar fundos, provocando indignação pública em um momento em que o país sofria com apagões generalizados causados por ataques russos.

Os investigadores indicaram que German Galushchenko obteve "benefícios pessoais" com o caso. A Ucrânia sofre há muito tempo com a corrupção, e o combate a este tipo de crime é considerado um pré-requisito para sua adesão à União Europeia.

Problema endêmico

A investigação deste grande escândalo de corrupção começou no ano passado, apontando a participação de membros do Executivo e do Legislativo da Ucrânia.

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Em novembro, a presidência ucraniana foi abalada por denúncias sobre o desvio de quase US$100 milhões no setor energético, que envolveu um amigo íntimo de Zelensky, Timour Minditch. O caso provocou a renúncia de dois ministros e do até então poderoso chefe de gabinete da presidência, Andri Yermak, que era um negociador privilegiado com Washington.

Já no fim de dezembro, o alvo da operação foi o Parlamento. A Agência Nacional Anticorrupção acusou vários deputados de aceitarem subornos em troca de votos. Na ocasião, investigadores tentaram entrar em gabinetes de parlamentares investigados em Kiev para cumprir mandados de busca e apreensão.

A NABU afirmou que havia "descoberto um grupo criminoso organizado, incluindo deputados e membros atuais da Assembleia Legislativa, que recebiam sistematicamente benefícios ilegais para votar no Parlamento".

A corrupção é um problema endêmico na Ucrânia há muitos anos. Desde o início da invasão russa em fevereiro de 2022, vários casos foram revelados, inclusive dentro das forças armadas e no setor da defesa. Ativistas anticorrupção reclamam de serem submetidos a pressão política e assédio judicial com o objetivo de dificultar seu trabalho.

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Criada em 2014 sob pressão europeia e norte-americana, a NABU é uma agência com poderes apenas investigativos, cujo diretor é nomeado pelo gabinete presidencial, mas que possui certo grau de independência dentro do governo ucraniano.

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