"Durante décadas, a cerca (fronteiriça) foi uma ferida aberta para os milhares de trabalhadores que a cruzavam todos os dias", disse o premiê espanhol durante a cerimônia. "Hoje estamos fazendo história, uma bela história (...), porque cai o último muro da Europa continental. Hoje, abrimos uma nova era de prosperidade partilhada", completou Sánchez no seu discurso.
Gibraltar, um pequeno território britânico de quase 40 mil habitantes e significativa autonomia, localizado na ponta sul da Península Ibérica, recebe diariamente cerca de 15 mil trabalhadores espanhóis, representando quase metade da sua força de trabalho.
Poucos minutos depois da meia-noite, dezenas de pessoas e veículos cruzaram a fronteira livremente pela primeira vez, observou um jornalista da AFP.
Hoy hacemos historia.
Cae la Verja de Gibraltar, el último muro de Europa continental, para dar paso a una nueva época de convivencia y prosperidad compartida.
Este acuerdo pone el bienestar de los 300.000 andaluces del Campo de Gibraltar en el centro y abre una nueva etapa en… pic.twitter.com/Vua9yo8ZPZ
— Pedro Sánchez (@sanchezcastejon) July 15, 2026
O evento ocorreu poucas horas depois da entrada em vigor do tratado de livre circulação firmado entre a União Europeia e Londres, seis anos após o Reino Unido deixar o bloco.
Depois de anos de negociações difíceis, principalmente pelas tensões pós-Brexit, o acordo foi assinado na noite de terça-feira (14) em Bruxelas, alinhando Gibraltar com as regras de livre circulação em vigor no Espaço Schengen.
Tensões diplomáticas desde 1700
A Espanha cedeu Gibraltar à Coroa Britânica em 1713, no âmbito do Tratado de Utrecht, mas nunca deixou de reivindicar a soberania sobre o território, o que tem gerado divergências regulares entre Madrid e Londres.
Essas tensões atingiram o seu auge em 1969, quando o regime do ditador Francisco Franco fechou a fronteira depois de Gibraltar ter votado esmagadoramente em referendo pela permanência sob soberania britânica.
A fronteira só foi totalmente reaberta em 1985. Mas, mesmo assim, o desacordo diplomático persistia, levando a Espanha a reforçar os seus controles, o que gerava longas filas de pessoas que precisavam entrar e sair diariamente do território britânico.