No ano passado, 41.472 migrantes tentaram a travessia do Canal da Mancha a partir da França, o segundo maior número depois do recorde de 45.774 registrado em 2022, segundo dados do Ministério do Interior britânico. As chegadas por pequenos barcos e botes, que começaram a ser contabilizadas em 2018 (menos de 300 na época), atingiram um pico em 2022, caíram em 2023 e voltaram a subir em 2024 (36.816).
Em quase três quartos dos casos, os migrantes são homens com mais de 18 anos e vêm de países como Eritreia, Afeganistão, Irã, Sudão e Somália, segundo dados do Ministério britânico referentes ao período entre outubro de 2024 e setembro 2025.
O aumento no número de chegadas é uma má notícia para o governo do primeiro-ministro Keir Starmer, que assumiu o cargo em julho de 2024 e enfrenta a ascensão do partido anti-imigração Reform UK, liderado por Nigel Farage. Ele lidera as pesquisas de opinião há vários meses e pretende capitalizar a impopularidade do governo nas eleições locais, em maio. "Se tivermos sucesso (nessa votação), continuaremos avançando e venceremos as eleições legislativas", previstas para, no máximo, 2029, declarou na quarta-feira o ex-campeão do Brexit em sua mensagem de Ano Novo.
Devolução de migrantes
O chefe do governo anterior, o conservador Rishi Sunak, havia prometido, sem sucesso, "parar os barcos". Keir Starmer, por sua vez, comprometeu-se a "desmantelar as quadrilhas" de traficantes, também sem resultados até agora.
O governo trabalhista anunciou uma série de medidas restritivas em matéria de imigração e direito de asilo. Em meados do ano passado, o Reino Unido firmou com a França um acordo para devolver ao país os migrantes que chegaram em pequenas embarcações. Em troca, o Reino Unido deve receber migrantes que já se encontram em território francês, respeitando algumas condições.
O mecanismo é contestado por organizações de defesa dos direitos humanos e resultou no retorno forçado à França de 153 pessoas e na admissão pelo Reino Unido de outras 134, segundo dados divulgados na quarta-feira pelo Home Office.
"Estamos reformando nosso sistema de imigração para facilitar a devolução de migrantes ilegais que não têm direito de estar aqui", escreveu o secretário de Estado britânico para a segurança das fronteiras, Alex Norris, em um comunicado. "Nossa mensagem é clara: se você tentar voltar ao Reino Unido, será devolvido", acrescentou.
Desde 2018, 95% dessas pessoas solicitam asilo, que é concedido em dois terços das decisões. Os pedidos de asilo atingiram um nível recorde: mais de 110.000 entre outubro de 2024 e setembro de 2025. O governo está sob pressão após um verão marcado por manifestações diante de hotéis que abrigam requerentes de asilo. E, em setembro, o militante de extrema direita Tommy Robinson organizou em Londres uma manifestação inédita, reunindo até 150.000 pessoas.
Com agências