A Ucrânia propôs a construção de um escudo aéreo com seus aliados para se proteger de ameaças russas, afirmou o presidente Volodymyr Zelenski nesta segunda-feira (29), após uma série de incursões no espaço aéreo europeu.
Segundo a Otan, a Rússia estaria testando a capacidade de resposta e a determinação do bloco com violações do espaço aéreo da Polônia e dos países bálticos. Kiev argumenta que sua experiência no combate a ameaças aéreas pode ser "valiosa".
"A Ucrânia propõe à Polônia e a todos os nossos parceiros a construção de um escudo comum e totalmente confiável contra ameaças aéreas russas", disse Zelenski em discurso por videoconferência no Fórum de Segurança de Varsóvia.
"Isso é possível. A Ucrânia pode neutralizar todos os tipos de drones e mísseis russos. Se agirmos juntos na região, teremos armas e capacidade de produção suficientes", acrescentou.
A Ucrânia já anunciou que soldados e engenheiros do país treinarão militares poloneses no combate a drones.
A cooperação em defesa com Kiev foi um dos principais temas do fórum anual de segurança realizado na capital polonesa, que começou na segunda e termina nesta terça-feira (30).
O ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, afirmou que as indústrias de defesa europeias e ucranianas devem "colaborar de forma mais estreita e eficiente".
"A União Europeia deve apoiar essa iniciativa oferecendo um marco regulatório mais flexível para a indústria de defesa europeia", disse.
Após as incursões russas no espaço aéreo da Otan, os países do flanco leste concordaram com a necessidade de um "muro de drones", com capacidades avançadas de detecção, rastreamento e interceptação. Pistorius, no entanto, alertou que a implementação levará tempo.
França envia drones para Dinamarca
A França enviou equipamentos de combate a drones para a Dinamarca, que sediará uma cúpula da União Europeia nesta quarta (1º) e quinta-feira (2). O país tem sido sobrevoado por drones não identificados nos últimos dias.
O dispositivo francês é composto por 35 militares, um helicóptero Fennec e equipamentos ativos de combate a drones, informou o Ministério francês das Forças Armadas.
Esses recursos se somam aos já prometidos por Suécia e Alemanha para reforçar a defesa dinamarquesa.
Desde 22 de setembro, drones não identificados foram detectados sobre locais sensíveis na Dinamarca e na Noruega, como aeroportos e bases militares.
As autoridades judiciais dinamarquesas e a Otan não apontaram oficialmente os responsáveis, mas, segundo a primeira-ministra Mette Frederiksen, "se há um país que representa uma ameaça à segurança da Europa, esse país é a Rússia".
Para garantir a segurança da cúpula, a Dinamarca proibiu voos de drones civis em todo o território a partir desta segunda. A medida foi anunciada no domingo pelo Ministério dos Transportes.
Moscou é frequentemente acusada por capitais europeias de conduzir uma guerra híbrida contra países que apoiam a Ucrânia, por meio de operações clandestinas, ataques cibernéticos e testes às defesas militares da Otan.
Os sobrevoos de drones na Escandinávia coincidem com incursões aéreas russas em países da Otan, como Polônia, Romênia e Estônia.
Suécia aponta Rússia como provável responsável
O primeiro-ministro da Suécia, Ulf Kristersson, também afirmou nesta segunda que a Rússia é provavelmente responsável pelos recentes voos de drones sobre aeroportos escandinavos, ocorridos dias antes da cúpula da UE em Copenhague.
"A probabilidade de que a Rússia esteja tentando enviar uma mensagem aos países que apoiam a Ucrânia é bastante alta, mas ninguém sabe ao certo", disse Kristersson à emissora TV4.
"Tudo aponta para a Rússia, mas todos os países são cautelosos ao acusar diretamente sem provas. No caso da Polônia, sabemos que foi isso mesmo", declarou.
A cúpula da União Europeia será realizada em Copenhague nesta quarta e quinta. Para garantir a segurança, o espaço aéreo dinamarquês foi fechado a drones civis até sexta-feira.
Violações da medida podem resultar em multa ou prisão de até dois anos. Moscou negou qualquer envolvimento. A Otan, por sua vez, reforçou a vigilância e os meios de defesa na região do Báltico.
Os recentes sobrevoos de drones ocorrem após incursões semelhantes na Polônia e na Romênia, além da violação do espaço aéreo da Estônia por caças russos.
Os incidentes aumentam a tensão no contexto da guerra iniciada com a invasão da Ucrânia pela Rússia, em fevereiro de 2022.
Premiê húngaro minimiza incidentes
O primeiro-ministro Viktor Orban minimizou, nesta segunda-feira, o possível sobrevoo de drones húngaros no espaço aéreo ucraniano e afirmou que o país vizinho em guerra não é "soberano", pois depende do Ocidente.
"Se dois, três ou quatro drones húngaros cruzaram a fronteira ou não, isso não é o problema", declarou, dizendo "tender a acreditar em seu ministro" da Defesa, Kristof Szalay-Bobrovniczky, que negou as acusações.
"Digamos que eles tenham voado alguns metros dentro do país, e daí?", acrescentou em um podcast apresentado pelo porta-voz de seu partido, afirmando que Kiev deveria se preocupar mais com os drones russos "em sua fronteira oriental".
"A Ucrânia não é um país independente e soberano, somos nós que a mantemos à tona, então ela não deveria se comportar como se fosse", acrescentou.
Segundo ele, se "o Ocidente decidisse amanhã não dar mais um único 'forint', a Ucrânia entraria em colapso". O forint é a moeda em circulação na Hungria.
(Com agências)