EUA, Dinamarca e Groenlândia assinam acordo para abrir duas bases militares americanas no território ártico: a reativação de Narsarsuaq e a presença em Mestersvig. O pacto, que transfere a vigilância regional para a Otan, surge após pressões do presidente Donald Trump para controlar a ilha semiautônoma, o que gerou atritos na aliança. A medida reforça a estratégia dos EUA na região, onde operavam 17 bases na Guerra Fria e hoje mantêm apenas a Base de Pituffik com cerca de 150 soldados.
Os EUA planejam reabrir uma antiga base militar da época da Guerra Fria no sul da Groenlândia e estabelecer uma presença militar em uma base na costa leste, atualmente utilizada pela patrulha dinamarquesa de trenós puxados por cães, por meio de um acordo a ser assinado pelos EUA, pela Dinamarca e pela Groenlândia na terça-feira, segundo três pessoas a par do assunto.
Esses locais são Narsarsuaq, cuja população diminuiu para algumas dezenas de pessoas desde que os EUA fecharam sua base militar Bluie West One na década de 1950, e Mestersvig, um posto avançado militar atualmente utilizado pela Patrulha de Trenós Puxados por Cães Sirius, uma unidade das forças especiais dinamarquesas, afirmaram duas dessas pessoas.
Espera-se que Dinamarca, Groenlândia e Estados Unidos assinem seu novo acordo na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, às 11h30 (horário de Brasília) de terça-feira.
O texto do acordo ainda não foi divulgado, e as três pessoas a par do acordo, que falaram sob condição de anonimato, afirmaram que seus detalhes não estarão finalizados até que seja assinado.
Os governos da Dinamarca e da Groenlândia não responderam imediatamente a um pedido de comentário. A Casa Branca também não respondeu imediatamente.
A Dinamarca afirma que o acordo coloca a segurança do Ártico sob a supervisão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), a aliança de defesa militar, em vez de deixá-la exclusivamente a cargo dos EUA e da Dinamarca.
O acordo vem após meses de pressão do presidente dos EUA, Donald Trump, que há muito tempo afirma querer que os EUA controlem a Groenlândia e, em algumas ocasiões, se recusou a descartar o uso da força militar ou econômica para adquirir o território dinamarquês semiautônomo.
As ameaças de Trump, que atingiram o auge em janeiro, desencadearam uma crise diplomática dentro da Otan e levaram a Dinamarca e a Groenlândia a negociar com Washington com o objetivo de amenizar a pressão.
Durante a Guerra Fria, os EUA mantinham 17 instalações militares e mais de 10.000 militares na Groenlândia. Hoje, resta apenas a Base Espacial de Pituffik, com cerca de 150 militares norte-americanos.