Os EUA atacaram alvos no Irã após ofensivas contra tropas e navios no Estreito de Ormuz, elevando a tensão regional e fazendo o petróleo subir 5%. Donald Trump ameaçou bombardeios mais duros em caso de retaliação, enquanto Washington intensifica sanções que já causam escassez de combustível aos iranianos. Diante do cerco econômico e dos bombardeios, o presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, apelou pela retomada das negociações diplomáticas para conter a escalada do conflito.
Segundo o Centcom, a ofensiva teve início ao meio-dia em Washington (13h em Brasília). Os militares americanos afirmaram que a ação foi uma resposta aos recentes ataques da Guarda Revolucionária Islâmica contra navios mercantes no Estreito de Ormuz e contra tropas dos Estados Unidos destacadas na região.
O presidente Donald Trump advertiu em sua rede Truth Social que Washington bombardeará o Irã "com muito mais força" caso Teerã promova novas retaliações aos ataques americanos.
A televisão estatal iraniana relatou várias explosões no sul do país, nas proximidades de Bandar Abbas e da ilha de Qeshm, perto do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo. Desde o início da guerra no Oriente Médio, em 28 de fevereiro, o fluxo de embarcações na região diminuiu significativamente.
Segundo informações divulgadas pela imprensa iraniana, quatro projéteis atingiram cidades localizadas a leste do estreito.
Os mercados reagiram imediatamente à nova escalada no Oriente Médio. O barril do petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, subiu cerca de 5% após os novos ataques contra alvos iranianos, refletindo os temores de uma interrupção no abastecimento global de petróleo.
Apesar do agravamento da crise, o presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, voltou a defender uma solução diplomática e apelou para que Washington retome as negociações, em uma tentativa de evitar uma deterioração ainda maior da situação regional. Recentemente, ele havia declarado que não deseja a continuidade do conflito.
Os bombardeios desta terça ocorrem dois dias após os Estados Unidos realizarem ataques aéreos contra lançadores de foguetes instalados em uma ilha iraniana. Em resposta, o Irã lançou mísseis e drones contra alvos americanos na Jordânia e nos Emirados Árabes Unidos.
Washington ainda promete intensificar a pressão econômica sobre Teerã. O governo americano anunciou uma estratégia para "estrangular" a economia iraniana, embora os detalhes das novas medidas ainda não tenham sido divulgados.
Pressão econômica e risco de escassez
Em meio ao endurecimento das sanções, autoridades iranianas passaram a pedir que a população reduza o consumo de combustíveis. O presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que o país enfrenta dificuldades para importar gasolina devido ao bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos.
"Devemos economizar gasolina em nosso consumo", declarou Ghalibaf em pronunciamento transmitido pela televisão estatal.
Segundo ele, um uso mais racional dos combustíveis permitiria ao país administrar melhor sua produção doméstica, embora tenha reconhecido que parte do problema está relacionada à estrutura industrial iraniana e não apenas ao comportamento dos consumidores.
Nos últimos dias, Washington ampliou a pressão sobre Teerã ao impor sanções secundárias contra parceiros comerciais do Irã, numa tentativa de isolar economicamente o país.
Ghalibaf, por sua vez, procurou minimizar o impacto das medidas e afirmou que é necessário demonstrar ao "inimigo" que os efeitos do bloqueio são limitados.
Na semana passada, o vice-presidente iraniano Mohammad Jafar Ghaempanah admitiu que as restrições americanas estavam dificultando a importação de gasolina e que a produção interna era insuficiente para atender à demanda. Longas filas foram registradas em postos de combustíveis em várias regiões do país.
Já enfraquecida por décadas de sanções internacionais, a economia iraniana enfrenta novas dificuldades. Segundo Ghalibaf, o governo pretende ampliar os subsídios destinados à alimentação "o mais rápido possível" para reduzir os efeitos da crise sobre a população.
Com AFP