EUA e Israel lançam ataque conjunto contra alvos do regime no Irã

Teerã reagiu e disparou mísseis contra bases americanas no Oriente Médio

28 fev 2026 - 08h26
(atualizado às 08h38)

Os Estados Unidos e Israel lançaram neste sábado (28) um "ataque preventivo" contra o Irã, após semanas de ameaças do presidente americano, Donald Trump, contra o regime que governa o país islâmico há quase 50 anos.

O bombardeio gerou uma reação imediata de Teerã, que disparou mísseis contra o território israelense e bases dos EUA no Oriente Médio.

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Batizada de "O Rugido do Leão" por Israel e "Fúria Épica" pelos Estados Unidos, a ofensiva envolveu bombardeios aéreos e marítimos contra pelo menos 30 alvos.

"Iniciamos uma grande operação no Irã. O objetivo é defender os americanos, eliminando iminentes ameaças do regime iraniano", disse Trump em um vídeo publicado na plataforma Truth Social.

Os ataques foram realizados apenas dois dias depois de uma rodada de negociações entre os dois países em Genebra, na Suíça, sobre o programa nuclear iraniano, que o governo dos EUA garantia ter "obliterado" após os bombardeios de junho passado.

"Tentamos fazer um acordo, mas eles recusaram todas as ocasiões de renunciar às suas ambições nucleares", salientou Trump, que prometeu "destruir" os mísseis do país persa. "Vamos garantir que o Irã não tenha armas nucleares. O regime vai aprender rapidamente que não é necessário desafiar as Forças Armadas americanas", acrescentou.

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O presidente também instou os membros da Guarda Revolucionária, braço ideológico das Forças Armadas e responsável por proteger o sistema político instaurado após a Revolução Islâmica de 1979, e todos os militares e policiais do Irã a "depor as armas", além de lançar um recado direto ao "grande e orgulhoso povo iraniano".

"A hora da liberdade está próxima. Fiquem em locais seguros, não deixem suas casas, está muito perigoso lá fora, com bombas caindo por toda parte. Quando terminarmos, assumam seu governo; ele será seu. Esta será provavelmente a sua única chance por gerações. A América está apoiando vocês com força esmagadora e devastadora. Agora é a hora de assumir o controle do seu destino e liberar o futuro próspero e glorioso que está ao seu alcance", disse.

Já o premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, agradeceu a Trump por sua "liderança histórica" e afirmou que os ataques "criarão as condições para que o corajoso povo iraniano assuma as rédeas do próprio destino". "Há 47 anos, o regime dos aiatolás brada 'Morte a Israel', 'Morte à América'. Derramou nosso sangue, matou muitos americanos e massacrou seu próprio povo. Não podemos permitir que obtenha armas nucleares que lhe permitam ameaçar toda a humanidade", destacou. O governo também fechou o espaço aéreo nacional, reforçou a segurança na fronteira com o Líbano e convocou reservistas.

A ação tem como alvos principais o aparato militar e político iraniano e sítios do programa nuclear do país. Explosões foram registradas no centro da capital Teerã, inclusive no aeroporto, na área que abriga o quartel-general conjunto das Forças Armadas e no complexo do Ministério da Inteligência.

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Os ataques ainda atingiram uma zona onde fica uma das residências do guia supremo Ali Khamenei, que teria sido levado para um local seguro. O gabinete do presidente Masoud Pezeshkian também foi afetado pelos bombardeios, mas o mandatário está "ileso", segundo a imprensa iraniana.

Rumores apontam que o comandante da Guarda Revolucionária, Mohammad Pakpour, e o ministro da Defesa do Irã, Aziz Nasirzadeh, teriam morrido, mas ainda não há confirmação oficial. Também foram ouvidas explosões em cidades como Isfahan, Qom, Karaj e Kermanshah.

Segundo a emissora israelense Canal 12, foram registradas "graves perdas" nas forças de segurança iranianas, com "dezenas de mortos e feridos" na Guarda Revolucionária, em uma ação celebrada por Reza Pahlavi, filho do último xá do Irã, Mohammad Reza Pahlavi, derrubado pela revolução de 1979.

"Estamos muito perto da vitória final. Quero estar com vocês o quanto antes, de modo que possamos reconstruir o Irã juntos", declarou herdeiro do ex-ditador.

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Resposta

A reação do Irã não tardou a chegar, com dezenas de mísseis contra Israel, que pediu para a população se abrigar em refúgios antiaéreos.

Sirenes de alarme foram acionadas em diversas zonas do país judeu, incluindo Jerusalém, e explosões foram ouvidas em Tel Aviv enquanto a defesa israelense interceptava projéteis iranianos.

Além disso, o regime dos aiatolás lançou mísseis e drones contra bases americanas no Bahrein, sede da Quinta Frota da Marinha Militar dos EUA, no Catar e nos Emirados Árabes Unidos. A operação foi batizada como "Promessa da Verdade 4".

Forças iranianas atacaram base dos EUA no Bahrein

"Assim como estávamos prontos para a negociação, estamos ainda mais prontos para defender o Irã em todos os momentos", diz uma nota do Ministério das Relações Exteriores de Teerã.

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Também foram registradas explosões no Kuwait, em Riad, capital da Arábia Saudita, e perto do Consulado dos EUA em Irbil, no Iraque. Segundo o governo dos Emirados Árabes, uma pessoa morreu em Abu Dhabi, atingida por detritos de mísseis interceptados pela defesa antiaérea, mas a situação é "estável".

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