Altos funcionários norte-americanos e iranianos se reuniram neste sábado em Islamabad, para as conversas de mais alto nível entre Washington e Teerã em meio século, na tentativa de pôr fim à guerra de seis semanas.
As negociações entre o vice-presidente JD Vance, o enviado especial Steve Witkoff e o genro do presidente Donald Trump, Jared Kushner, e o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, e o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, duraram duas horas antes de as delegações se retirarem para descansar, de acordo com uma fonte paquistanesa. O chefe do Exército do Paquistão também estava presente.
No início das negociações, houve relatos conflitantes sobre o que havia sido acordado.
Uma autoridade dos EUA disse ao Axios que diversos navios da Marinha norte-americana cruzaram neste sábado o Estreito de Ormuz, cujo bloqueio pelo Irã causou a maior interrupção de todos os tempos no fornecimento global de energia. Mas a TV estatal iraniana e uma fonte paquistanesa negaram que qualquer navio dos EUA tenha passado pela hidrovia.
"Estamos agora iniciando o processo de desobstrução do Estreito de Ormuz", escreveu Trump em uma publicação em rede social, acrescentando que todos os 28 navios de lançamento de minas do Irã foram afundados.
Mais cedo, uma fonte sênior iraniana disse à Reuters que os EUA haviam concordado em liberar ativos congelados no Catar e em outros bancos estrangeiros, afirmação rapidamente negada por uma autoridade dos EUA.
SERIEDADE
A fonte iraniana de alto escalão saudou a suposta medida como um sinal de "seriedade" nas negociações.
O Ministério das Relações Exteriores do Catar não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre a afirmação a respeito dos ativos congelados.
As conversas diretas se seguiram a uma manhã de mediação do primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif, quando Teerã estabeleceu suas linhas vermelhas que, segundo Teerã, Washington precisa aceitar antes das negociações cara a cara.
Entre as condições estabelecidas por Teerã a Sharif estavam o Estreito de Ormuz, a liberação dos ativos bloqueados do Irã, o pagamento de reparações de guerra e um cessar-fogo a ser aplicado em toda a região, de acordo com a TV estatal iraniana.
O Irã também exige um cessar-fogo no Líbano, onde ataques israelenses contra militantes do Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã, mataram quase 2.000 pessoas desde o início dos combates, em março.
Israel e os EUA disseram que a campanha no Líbano não faz parte do cessar-fogo.
A expectativa é que a delegação de Teerã continue a discutir as violações do cessar-fogo no Líbano, disse um jornalista da TV estatal iraniana.
Uma reportagem sem fonte nas agências de notícias iranianas disse que a aceitação da liberação dos ativos iranianos e a limitação dos ataques ao Líbano por Israel haviam sido suficientes para o início das negociações diretas.
A porta-voz do governo iraniano, Fatemeh Mohajerani, havia alertado anteriormente que havia uma profunda desconfiança por parte do Irã.
"Negociaremos com o dedo no gatilho", disse Mohajerani na TV estatal. "Embora estejamos abertos a conversas, também estamos plenamente conscientes da falta de confiança; portanto, a equipe diplomática do Irã está entrando nesse processo com o máximo de cautela."
A agenda de Teerã inclui o reconhecimento de sua autoridade sobre o Estreito de Ormuz, onde pretende cobrar taxas de trânsito e controlar o acesso. O Estreito é um ponto de estrangulamento para cerca de 20% das remessas globais de petróleo e gás natural liquefeito.
A interrupção do fornecimento de energia alimentou a inflação e desacelerou a economia global, com um impacto que deve durar meses, mesmo que os negociadores consigam reabrir o Estreito.