Os Estados Unidos intensificaram nesta sexta-feira sua nova campanha de bombardeios contra o Irã, atacando pontes e um aeroporto, e Teerã respondeu com ataques a bases norte-americanas no Oriente Médio.
No disputado Estreito de Ormuz, onde o conflito renovado voltou a interromper o abastecimento global de energia proveniente do Oriente Médio, fuzileiros navais dos EUA abordaram um petroleiro, e houve relatos de que outro navio teria sido atingido por um projétil.
Os lados em conflito vêm testando os limites da escalada desde que o acordo de cessar-fogo fracassou na semana passada, aumentando a possibilidade de um retorno à guerra total.
O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou lançar ataques aéreos em grande escala contra a infraestrutura do Irã e também se recusou a descartar um ataque terrestre na costa ou nas ilhas do Irã. Autoridades norte-americanas afirmaram que os ataques ao sul do Irã têm como objetivo, em parte, dar opções a Trump.
Mas tais medidas correm o risco de provocar o Irã a, por sua vez, intensificar a escalada, atacando a infraestrutura de países vizinhos, ou de perturbar ainda mais o abastecimento de energia, fazendo com que seus aliados no Iêmen ataquem navios no Mar Vermelho.
O Comando Central das Forças Armadas dos EUA incluiu "infraestrutura logística militar" na lista de alvos que afirmou ter atingido em seus últimos ataques ao Irã, a primeira vez que mencionou infraestrutura em mais de uma semana.
Por enquanto, os ataques parecem ter se limitado principalmente às áreas costeiras do sul, que já foram alvo de ataques intensos nos últimos dias.
A mídia estatal iraniana informou que pelo menos cinco pontes foram atingidas no sul. Sete pessoas teriam morrido em ataques a pontes no porto de Bandar Khamir, no sul do país, onde a estação ferroviária também foi atingida. Um aeroporto teria sido atingido mais a leste e longe da costa, em Iranshahr, em uma província na fronteira com o Paquistão.
A Reuters não conseguiu verificar as informações, que também descreveram outros ataques mortais, incluindo um que matou uma mulher e feriu seu filho no porto de Bandar Abbas.
DISPUTA PELO ESTREITO
O Irã afirmou ter atacado bases norte-americanas no Kuweit e no Barein, além de uma estação de radar dos EUA em Omã. Explosões também foram ouvidas na capital do Catar, Doha, onde o Ministério do Interior informou que uma criança ficou ferida por estilhaços.
O Irã disse ter disparado contra a Síria, aparentemente pela primeira vez na guerra, tendo como alvo o que descreveu como uma base das forças especiais dos EUA em Tanf. A Síria afirma que as forças norte-americanas se retiraram da base no início deste ano. Uma fonte militar síria disse que o ataque atingiu uma área próxima à base e não causou danos nem vítimas.
Um acordo provisório para pôr fim à guerra fracassou desde 7 de julho, quando o Irã atacou navios no Estreito de Ormuz e os Estados Unidos responderam com ataques aéreos.
A retomada dos combates interrompeu mais uma vez, em grande parte, o tráfego pela rota de transporte de energia mais importante do mundo, fazendo com que os preços do petróleo subissem para cerca de US$85 o barril nesta semana.
O Irã anunciou o fechamento do estreito, e Washington restabeleceu seu próprio bloqueio aos portos iranianos.
Nos últimos incidentes no mar, as Forças Armadas dos EUA informaram ter abordado o petroleiro Wen Yao para fazer cumprir o bloqueio, divulgando fotos de fuzileiros navais descendo de rapel de um helicóptero até o convés, onde um deles posou em frente a uma bandeira iraniana.
O serviço britânico de segurança marítima UKMTO informou que um petroleiro foi atingido por um projétil na quinta-feira, na costa de Omã.
Embora ambos os lados tenham trocado ataques diariamente, até o momento não chegaram a escalar a situação além dos parâmetros estabelecidos no início da guerra, quando infraestruturas civis e alvos econômicos importantes eram, em sua maioria, considerados fora dos limites devido à ameaça de retaliação.
O Irã afirmou que atacaria infraestruturas civis em todo o Oriente Médio caso Trump concretize as ameaças de atacar a infraestrutura iraniana.