A esposa de Abderrahim Fakir, imigrante marroquino de 42 anos que morreu durante uma abordagem policial em Bolonha, na Itália, exigiu justiça e classificou o episódio como "um crime terrível".
A declaração foi dada por Meryem em entrevista concedida à emissora marroquina Chouftv, nesta quinta-feira (23), enquanto a família acompanha o caso a partir do Marrocos.
"Eles o executaram. Isso é um crime contra a humanidade, um crime terrível. Hoje foi a vez dele; amanhã pode acontecer com nossos filhos", afirmou a mulher. "Ele não fez nada de errado e, no entanto, morreu assim."
Segundo Meryem, o marido, com quem foi casada por 13 anos, era uma pessoa tranquila e trabalhadora.
Fakir morreu no último domingo (19) durante uma abordagem policial na Via Svevo, no bairro Pilastro, em Bolonha. A família contesta a versão dos acontecimentos e diz que o homem foi morto sem justificativa.
Em uma reportagem exibida pela emissora marroquina Chouftv, a esposa apareceu mostrando roupas que Fakir havia enviado ao Marrocos para a viagem de férias que planejava fazer neste mês.
"O que aconteceu não é certo. Não é normal; ninguém o ajudou", disse.
A tia da vítima também pediu responsabilização dos envolvidos. "Mataram nosso filho", afirmou ela, criticando o uso de spray de pimenta pelos policiais e declarando que Fakir teria sofrido uma morte violenta. "Mataram-no como a um cachorro", acrescentou.
Além disso, a tia afirmou temer que situações semelhantes ocorram com outros imigrantes. "Abderrahim é nosso filho ? um filho do Marrocos ?, mas também é filho de vocês e da comunidade estrangeira. O que aconteceu com ele hoje pode acontecer com nossos filhos amanhã", declarou.
Paralelamente, a sobrinha de Abderrahim, Yossra Fakir, publicou um vídeo em homenagem ao tio e pediu que sua memória não seja associada apenas ao episódio de sua morte.
"Ele era um homem trabalhador que, com esforço, sacrifício e dedicação, havia construído seu próprio caminho, sua cooperativa e sua vida", afirmou.
Segundo ela, Fakir era uma pessoa respeitada, que ajudava os outros e não causava problemas. "Não vamos permitir que seu nome seja manchado. Não vamos permitir que sua memória seja apagada ou narrada com palavras que não representam a pessoa que ele era", disse.
Nesta quinta-feira (23), o telejornal italiano Tg1 divulgou um trecho das imagens da câmera corporal de um dos policiais envolvidos na ocorrência. O material, entregue à Promotoria, mostra o momento em que os agentes entram em contato com Fakir e com outro homem que estava próximo a um carro.
O advogado dos policiais, Gabriele Bordoni, afirmou que as imagens indicam que havia uma situação que exigia intervenção.
"Há um momento de contato com outras pessoas que estavam perto de um carro e que interagem com ele. Nesse ponto, fica evidente que os policiais precisam intervir e resolver a situação", declarou.
Já a defesa da família, representada pelo advogado Fabio Anselmo, afirmou que houve problemas na condução dos procedimentos após a morte de Fakir.
Em entrevista ao programa "L'Aria che tira", da emissora italiana La7, ele disse que testemunhas teriam sido chamadas informalmente pela polícia e levadas à delegacia sem os procedimentos adequados.
"Testemunhas ? ou supostas testemunhas ? foram contatadas informalmente, sem notificação oficial, e instruídas a comparecer à delegacia para prestar depoimento sem intérprete ou gravação em vídeo", afirmou.
De acordo com Anselmo, durante uma busca na residência de Fakir, um primo da vítima, Achraf Fakir, teria sido colocado em uma viatura para ser levado à delegacia sem motivo aparente.
O advogado questionou a necessidade da medida e afirmou que testemunhas não devem ser conduzidas à força sem uma convocação formal.
"Essa conduta foi justificada pela necessidade de interrogá-lo como testemunha, mas não se leva testemunhas à força, a menos que elas tenham deixado de atender a uma intimação. Alegou-se que ele havia consentido, mas a pessoa que me relatou o fato afirmou que ele absolutamente não concordou em ir à delegacia ? e, de fato, ele acabou sendo liberado da viatura. Esse é o clima", concluiu.