A Espanha solicitou apoio da agência europeia Frontex para identificar e triar milhares de migrantes em Ceuta, após a entrada em massa de pessoas vindas do Marrocos no fim de julho, episódio que deixou quase cem mortos. Estima-se que até 8 mil migrantes permaneçam no enclave norte-africano sob forte tensão social, marcada por protestos de moradores locais, ataques a acampamentos e confrontos recentes que resultaram em prisões e expulsões.
A Espanha solicitou, nesta sexta-feira, o auxílio da Agência Europeia de Guarda de Fronteiras e Costeira (Frontex) para registrar e identificar migrantes no enclave norte-africano de Ceuta, quase um mês depois que dezenas de milhares atravessaram a fronteira vindo do Marrocos.
O ministro do Interior espanhol, Fernando Grande-Marlaska, enviou um pedido a Beate Gminder, diretora-geral de Migração e Assuntos Internos da Comissão Europeia, solicitando a ajuda da Frontex, agência da União Europeia, para fazer a triagem dos migrantes que se encontram ilegalmente no enclave.
As autoridades afirmam que entre 5.000 e 8.000 pessoas permanecem em Ceuta depois que pelo menos 72.000 pessoas cruzaram a fronteira vindas de Marrocos em 30 de julho, em uma corrida que causou a morte de 82 migrantes no lado espanhol da fronteira, com mais 14 mortes confirmadas por Marrocos.
A Espanha também solicitou mais 10 agentes da Frontex para auxiliar na triagem dos migrantes.
O pedido de Marlaska surge em meio a tensões crescentes em Ceuta, após uma série de protestos de moradores que exigiram a saída dos migrantes.
As barracas utilizadas pelos migrantes na Praia de Trampolin, onde muitos deles estavam acampados, foram atacadas e incendiadas.
Doze migrantes foram detidos na quinta-feira após atirarem pedras contra um veículo do Exército, ferindo um soldado e quatro migrantes. Onze foram expulsos de Ceuta, informou o jornal El País nesta sexta-feira, citando fontes do principal tribunal da cidade.