Escudo antimíssil Domo de Ouro de Trump completa um ano com poucos avanços

27 jan 2026 - 11h59

Um ano após ser lançada, a iniciativa de defesa antimíssil Domo de Ouro do presidente dos EUA, Donald Trump, apresentou poucos progressos visíveis, em meio a disputas técnicas e preocupações com componentes espaciais que atrasaram a liberação de bilhões de dólares.

O decreto que estabeleceu o programa Domo de Ouro, assinado em 27 de janeiro de 2025, definiu ‌um cronograma ambicioso para implantar o sistema de defesa antimíssil até 2028.

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Um ano depois, no entanto, o programa ainda não gastou grande parte dos US$25 bilhões alocados no verão ‌passado (período de junho a setembro no hemisfério norte), enquanto as autoridades continuam debatendo elementos fundamentais de sua arquitetura espacial.

Segundo dois funcionários norte-americanos, o trabalho para finalizar a arquitetura do escudo antimíssil ainda está em andamento, e a liberação de verbas em larga escala ainda não começou. Os recursos estão disponíveis, disseram os funcionários, e quantias significativas poderão ser liberadas nos próximos dias, assim que as decisões cruciais forem tomadas.

"O escritório do Domo de Ouro continua cumprindo as metas estabelecidas no decreto", disse um funcionário ‍do Pentágono em resposta às perguntas da Reuters.

"O plano de implementação e as tecnologias associadas são dinâmicos; no entanto, os elementos fundamentais da arquitetura já estão estabelecidos. Os detalhes da arquitetura são confidenciais."

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DEBATE SOBRE ARMAS NO ESPAÇO

O projeto Domo de Ouro prevê a expansão das defesas terrestres existentes, como mísseis interceptores, sensores e sistemas de comando e controle, ao mesmo tempo que adiciona elementos experimentais no espaço, destinados a detectar, rastrear e potencialmente neutralizar ameaças vindas ‌da órbita. Isso incluiria redes de satélites avançadas e armamentos orbitais.

Uma das causas do atraso tem sido o debate interno ‌sobre equipamentos espaciais, disse um dos funcionários. Um executivo da indústria de defesa, falando sob condição de anonimato, afirmou que os sistemas em discussão provavelmente envolvem padrões de comunicação.

Outro executivo disse que poderiam ser capacidades antissatélite, levantando questões sobre como tais armas se integrariam a um escudo antimíssil defensivo.

Historicamente, os EUA se opuseram a armas antissatélite devido a preocupações com detritos espaciais, criticando a China em 2007 por realizar um teste de míssil antissatélite.

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A arquitetura espacial continua sendo uma das questões que precisam ser decididas antes que o general Michael Guetlein, diretor do programa, possa prosseguir com o que se prevê ser uma série de contratos de aquisição de armamentos, disseram um oficial norte-americano e executivos da indústria.

CONTRATOS DE PEQUENO VALOR

Em novembro, a Força Espacial concedeu contratos de pequeno valor do programa Domo de Ouro para a construção de protótipos concorrentes de sistemas de defesa antimísseis. Isso incluiu contratos com a Northrop Grumman, a True Anomaly, a Lockheed Martin e a Anduril, informaram fontes anteriormente à Reuters.

Avaliados em cerca de US$120 mil cada um, os contratos representam os primeiros passos tangíveis em um programa que, segundo Trump, poderá custar US$175 bilhões.

Desde dezembro, houve pelo menos uma reunião informativa confidencial para empresas de defesa sobre a arquitetura do projeto, disseram autoridades norte-americanas.

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Tom Karako, especialista em segurança de armamentos do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, na sigla em inglês), com sede em Washington, afirmou que grande parte do ano passado foi consumida por revisões de segurança, decisões sobre pessoal e aprovação de planos complexos.

Ele disse que é improvável que o projeto Domo de Ouro esteja totalmente concluído até 2028.

"Há muito que pode ser feito nos próximos três anos em termos de melhor integração do que já temos, mas não há dúvida de que haverá coisas que serão implementadas e ‌evoluirão depois de 2028."

Outra questão não resolvida em relação ao Domo de Ouro é o papel que a Groenlândia poderá desempenhar.

Trump recentemente vinculou o controle norte-americano do território dinamarquês à iniciativa de defesa antimíssil, afirmando repetidamente que a aquisição da Groenlândia é "vital" para o projeto.

Especialistas em defesa observam, no entanto, que os acordos existentes já permitem a expansão das operações militares norte-americanas na ilha. Um oficial norte-americano afirmou que a Groenlândia não faz parte da arquitetura proposta para o Domo de Ouro.

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