O terremoto de magnitude 7,5 que atingiu a Venezuela na quarta-feira, 24 de junho, deixando mais de 1.700 mortos - até a publicação desta matéria, segundo dados oficiais -, reacendeu uma dúvida comum: por que abalos sísmicos dessa intensidade praticamente não acontecem no Brasil?
Embora tremores ocasionais sejam registrados no país, a localização geológica do território brasileiro reduz significativamente o risco de terremotos destrutivos.
A explicação está nas placas tectônicas. O Brasil ocupa uma posição privilegiada no centro da placa Sul-Americana, distante das bordas onde ocorrem os maiores movimentos da crosta terrestre. É justamente nessas áreas de contato entre placas que a maior parte dos terremotos é gerada.
Segundo especialistas, a superfície da Terra é formada por enormes blocos rochosos que se movimentam lentamente sobre o manto terrestre. Em regiões onde duas placas se encontram, essas estruturas se chocam, deslizam ou se comprimem, acumulando tensão até que ocorra uma ruptura. A energia liberada nesse processo provoca os tremores de terra.
Enquanto o Brasil permanece afastado dessas zonas de colisão, países como Venezuela, Chile, Peru e Equador convivem com a proximidade entre as placas Sul-Americana e de Nazca, uma das áreas de maior atividade sísmica do planeta. Esse encontro também foi responsável pela formação da Cordilheira dos Andes.
Apesar de estar em uma área considerada estável, o território brasileiro não está totalmente livre de terremotos. Os abalos registrados no país costumam ser classificados como intraplaca, fenômeno que ocorre no interior das placas tectônicas e geralmente apresenta baixa intensidade.
Brasil e os tremores
Dados do Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP) indicam que o Brasil registra dezenas de tremores ao longo dos anos, embora a maioria passe despercebida pela população. O maior terremoto documentado no país ocorreu em 1955, no Mato Grosso, com magnitude de 6,6.
Outros episódios marcaram diferentes regiões do Brasil, como o terremoto de 5,2 registrado no Ceará, em 1980, outro de 5,5 no Amazonas, em 1983, além de um sismo de 6,1 percebido entre Acre e Amazonas, em 2007. No mesmo ano, moradores de estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina também sentiram reflexos de um forte terremoto ocorrido no Atlântico.
Mais recentemente, pequenos tremores continuam sendo monitorados por especialistas. Em junho deste ano, por exemplo, três abalos foram registrados na região de Tucuruí, no Pará, sendo o maior deles de magnitude 3,5.
Para os geógrafos, a diferença é que terremotos de pequena intensidade são relativamente comuns, mas raramente causam danos. Já os grandes eventos sísmicos continuam concentrados nas bordas das placas tectônicas — uma condição geológica que mantém o Brasil entre os países menos suscetíveis a terremotos devastadores.