A liquidação extrajudicial do Ueno Bank por insolvência deflagrou grave crise política e financeira no Paraguai, bloqueando contas de 3 milhões de clientes e afetando US$ 850 milhões públicos. Ligado ao grupo controlador até 2025 e sob forte pressão e investigações que já renderam prisões, o presidente Santiago Peña pediu a renúncia do chefe do Banco Central e teve sua própria saída solicitada, que depende do Congresso, abalando a credibilidade externa e a projeção de alta de 4,7% do PIB.
O cenário político e econômico da América Latina enfrenta momentos de instabilidade com o avanço da crise bancária no Paraguai. A decisão da autoridade monetária do país de decretar a liquidação extrajudicial do Ueno Bank, maior banco digital em operação em solo paraguaio, deflagrou um forte abalo institucional. O episódio culminou no pedido de renúncia do presidente da República, Santiago Peña, e do presidente do Banco Central local, Carlos Carvallo, além da abertura de investigações criminais pela fiscalia nacional.
Liquidação do Ueno Bank e impacto sobre a população
A intervenção regulatória ocorreu após a apuração de que o nível de solvência da instituição financeira estava em patamar inferior à metade do mínimo exigido pela legislação vigente. Com o encerramento abrupto das atividades, cerca de 3 milhões de clientes — equivalente a quase metade da população paraguaia — tiveram suas contas bloqueadas e ativos congelados. A medida afetou diretamente a gestão de US$ 850 milhões em fundos públicos, atingindo em grande proporção o pagamento de aposentados e provocando corridas às agências e falhas nos sistemas de pagamento.
Relação política, investigações e paralelos com o mercado brasileiro
O desgaste sobre a administração federal intensificou-se pelo fato de Santiago Peña ter figurado como sócio do Grupo Vázquez, controlador do conglomerado financeiro, até março de 2025. O Ministério Público do Paraguai determinou a prisão preventiva de oito pessoas ligadas à instituição e imputou formalmente 27 indivíduos por supostas irregularidades operacionais e concessão excessiva de crédito a empresas coligadas. A crise do banco digital paraguaio guarda semelhanças estruturais com a liquidação do Banco Master no Brasil, determinada pelo Banco Central brasileiro no final de 2025 devido ao comprometimento grave de sua saúde econômico-financeira.
Como resposta direta ao avanço da crise no setor, o presidente da República, Santiago Peña, solicitou a renúncia do presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvallo. A cobrança pela saída da autoridade máxima da instituição ocorre em um momento de forte pressão popular e política sobre a condução da política monetária do país.
Apesar dos esforços da Associação de Bancos do Paraguai (Asoban) em classificar a liquidação como um evento isolado sem risco sistêmico, o escândalo impõe desafios à credibilidade internacional da nação. O ambiente de incerteza surge em um momento no qual o Banco Mundial projetava uma expansão de 4,7% para o Produto Interno Bruto (PIB) paraguaio em 2026, impulsionado pela atração de investimentos estrangeiros e consolidação fiscal. O aceitamento formal da renúncia presidencial depende agora de deliberação em sessão extraordinária no Congresso Nacional.