Emissoras retomam cobertura da Casa Branca em meio à disputa pelo acesso da imprensa

25 set 2026 - 17h30
Resumo
Emissoras dos EUA retomaram a cobertura conjunta da Casa Branca durante a visita de Xi Jinping, após um boicote em solidariedade à CNN, MS NOW e Politico, barrados pelo governo Trump sob alegações de cobertura negativa. O acesso foi restabelecido por ordem judicial que considerou a proibição inconstitucional, embora a disputa legal sobre a liberdade de imprensa continue. O episódio reflete a crescente tensão e as medidas restritivas de Donald Trump contra os principais veículos de imprensa.

Emissoras de televisão dos Estados Unidos retomaram nesta sexta-feira a cobertura dos eventos ‌do presidente Donald Trump na Casa Branca, proporcionando o primeiro acesso ao pool de imprensa ao vivo para a visita do presidente chinês Xi Jinping, enquanto continua a batalha judicial sobre as restrições impostas à CNN, à MS NOW e ao Politico.

Na semana passada, Trump baniu os três veículos de comunicação da Casa Branca. Posteriormente, um juiz ordenou que o governo restabelecesse o acesso.

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O pool de imprensa televisiva da Casa Branca transmitiu imagens da chegada de Xi à Casa Branca para um chá no último dia da visita do líder ⁠chinês, assim como da ida dos dois líderes ao Arquivo Nacional, que abriga a Constituição dos EUA.

A CNN, a ABC, a CBS, a ‌Fox News e a NBC dividem os custos da cobertura do presidente e se revezam na cobertura, fornecendo imagens do pool a outros veículos de comunicação. A recusa das outras emissoras em instalar câmeras em sinal de solidariedade fez com que não houvesse cobertura do ‌pool nos dois primeiros dias da visita de Xi.

Trump conta com a mídia para ‌moldar sua imagem pública e promover sua agenda, mesmo que regularmente apresente as organizações de notícias como adversárias políticas. Desde ⁠que voltou ao cargo, no ano passado, seu governo tem adotado uma postura agressiva contra os principais veículos de comunicação, incluindo a restrição do acesso ao Salão Oval e a outros espaços restritos.

Quando a cobertura conjunta foi retomada para a chegada de Xi à Casa Branca nesta sexta-feira, Trump se recusou a responder a perguntas dos jornalistas sobre a China e o Irã, sua proibição à mídia e um novo e polêmico anúncio de TV financiado pelos contribuintes que promove sua presidência. Mais tarde, ele agradeceu aos repórteres.

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"Agradecemos a cobertura imparcial. Tem ‌sido muito imparcial. Agradecemos por isso", disse Trump posteriormente a jornalistas ao lado de Xi.

A Casa Branca não respondeu a um pedido de comentário ‌sobre o restabelecimento do acesso da imprensa.

CAMPANHA ⁠SEM PRECEDENTES

Trump baniu os três veículos ⁠de comunicação do complexo da Casa Branca devido a uma cobertura que ele alegou ser falsa ou negativa. O acesso foi restabelecido na quinta-feira, após ⁠um juiz federal considerar a proibição inconstitucional e ordenar que o acesso fosse imediatamente restaurado.

A ‌CNN, a MS NOW e o Politico ‌entraram com uma ação contra Trump e outros membros de seu governo, alegando que a proibição violava as proteções da Primeira Emenda da Constituição dos EUA à liberdade de expressão e à liberdade de imprensa, assim  como seus direitos ao devido processo legal.

Uma coalizão de grupos de defesa da liberdade de imprensa e dezenas de organizações de notícias, incluindo a Reuters, apresentou posteriormente ⁠um parecer jurídico apoiando a ação.

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Apesar da decisão provisória que restabeleceu o acesso, o tribunal ainda não resolveu a principal contestação à proibição, baseada na Primeira Emenda da Constituição dos EUA, que protege o direito à liberdade de expressão e à liberdade de imprensa. Os veículos de comunicação têm agora até 28 de setembro para solicitar ao juiz que mantenha seu acesso enquanto o caso segue em andamento.

Mesmo que os veículos de comunicação obtenham uma liminar permanente contra a proibição, ‌Trump ainda poderia levar o caso adiante na justiça federal.

Trump vem conduzindo uma campanha sem precedentes contra a mídia desde que voltou ao cargo no ano passado, lançando ataques pessoais a jornalistas, negando acesso a alguns veículos e processando organizações de notícias, além de ⁠solicitar à Comissão Federal de Comunicações que retire as licenças das emissoras de radiodifusão.

MAIS AMIGÁVEL

Na quinta-feira, Trump fez uma piada com os fotógrafos no Salão Oval sobre a China -- que impõe censura rigorosa à mídia -- ter a imprensa mais amigável, ao receber Xi na Casa Branca.

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Embora a Casa Branca tenha informado ao tribunal na quinta-feira que havia restabelecido o acesso dos três veículos, a CNN e a MS NOW afirmaram posteriormente que alguns de seus jornalistas tiveram o acesso negado para cobrir a chegada de Xi ao jantar de Estado na Casa Branca, segundo o Washington Post.

Um advogado dos três veículos de comunicação, presente no tribunal nesta semana, alertou que a Casa Branca poderia tentar novamente revogar o acesso desses veículos à Casa Branca enquanto o litígio atual continua.

David Ellison, presidente-executivo da Paramount Skydance , que busca se fundir com a Warner Bros. Discovery -- controladora da CNN --, participou do jantar de Estado entre Trump e Xi na noite de quinta-feira.

Críticos têm manifestado preocupações de que a CBS News, de propriedade da Paramount, esteja adaptando sua cobertura para favorecer Trump, embora Ellison tenha prometido criar um conselho de independência editorial tanto para a CBS quanto para a CNN como parte do acordo.

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