Um voo da Flydubai com destino a Tel Aviv fez um pouso forçado na Arábia Saudita após o copiloto esfaquear o comandante em pleno voo. O ataque provocou uma queda abrupta de 5 mil metros antes de passageiros conterem o agressor e um piloto a bordo assumir o controle da aeronave. Israel investiga o incidente como uma possível tentativa de atentado terrorista para abalar suas relações com os Emirados Árabes Unidos, mas a companhia aérea afirma que as motivações do confronto ainda não foram esclarecidas.
Frédérique Misslin, enviada especial a Tel Aviv, e AFP
As circunstâncias do confronto entre os dois pilotos ainda não foram esclarecidas. A Flydubai afirmou que as razões da altercação são desconhecidas e pediu que se evitem especulações prematuras. A companhia suspendeu temporariamente os voos de e para Israel enquanto a investigação prossegue.
Os relatos dos passageiros, colhidos pela RFI e pela AFP, descrevem uma sequência de acontecimentos caótica. Segundo os testemunhos, o comandante de origem indiana, identificado como Smit Machchhar, teria sido esfaqueado pelo copiloto, de nacionalidade omanense, enquanto o avião sobrevoava a região. Mesmo ferido, o comandante teria conseguido abrir a porta da cabine, permitindo a entrada de passageiros.
"Parecia que o avião ia cair", contou à RFI Dan Zoller, que relatou gritos a bordo e passageiros saindo da cabine de comando cobertos de sangue. Segundo ele, três passageiros conseguiram dominar o agressor, enquanto outro piloto, Yaniv Hayoun, que estava a bordo, assumiu os controles e conduziu a aeronave até Tabuk, na Arábia Saudita.
Outro passageiro ouvido pela RFI, Evi Attal, afirmou que Hayoun entrou na cabine quando o avião estava "mergulhando" e puxou o manche para recuperar a trajetória. Um passageiro dentista teria ajudado a conter o sangramento do comandante.
Queda de 5 mil metros
Os dados do Flightradar24 citados pela AFP mostram que a aeronave passou de cerca de 34 mil pés para menos de 17 mil pés em aproximadamente um minuto, uma queda de cerca de 5 mil metros. "O avião estava realmente prestes a cair", afirmou à RFI a passageira Miriam Shira Ohayon.
Após o pouso de emergência em Tabuk, Machchhar foi hospitalizado. A embaixada da Índia na Arábia Saudita informou que ele estava em estado estável. O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, declarou que o piloto era um "herói".
As autoridades israelenses qualificaram o episódio como uma possível tentativa de ataque terrorista. O ministro da Defesa, Israel Katz, falou em uma "tentativa de ataque terrorista jihadista", enquanto o Ministério das Relações Exteriores afirmou que o episódio poderia ter como objetivo atingir as relações entre Israel e os Emirados Árabes Unidos, normalizadas pelos Acordos de Abraão, em 2020.
Netanyahu afirmou que o copiloto teria tentado provocar a queda do avião, mas declarou posteriormente que era "cedo demais" para determinar quem estaria por trás do incidente. Até o momento, nem a Flydubai nem as autoridades sauditas confirmaram a hipótese de atentado.
Os 174 passageiros, em sua maioria israelenses, foram posteriormente levados de volta a Tel Aviv em outro avião. O inquérito deverá esclarecer a motivação do confronto, a sequência dos acontecimentos na cabine e se houve, de fato, intenção terrorista.