Rami al Meghari, correspondente da RFI em Gaza, e Frédérique Misslin, em Jerusalém
Em um campo simples, vestindo uniformes amarelos e vermelhos, as jogadoras se deslocam com o auxílio de muletas durante os treinos.
Ferida durante a guerra, Farra, de 16 anos, foi tratada na Jordânia e recebeu uma prótese para substituir a perna direita amputada.
"Eu adoro futebol. Depois do ferimento, comecei a jogar e a treinar", conta.
A equipe reúne atualmente 13 jogadoras adultas e realiza treinamentos uma vez por semana.
"É minha primeira experiência. Ver meninas como eu me deu coragem e esperança. Isso me ajudou a mudar minha maneira de pensar", diz Farra Abu Qainas, que perdeu a perna após um bombardeio atingir a casa de um vizinho.
Treinos em meio à destruição
O treinador Abu Ghalion diz que enfrenta enormes dificuldades para manter o projeto. Segundo ele, o objetivo é preparar a equipe para disputar uma competição internacional no próximo ano.
"Hoje, a maioria dos campos foi destruída pela última guerra. Além disso, as muletas não são de boa qualidade e se quebram facilmente, mas usamos muitas delas. E o maior desafio atualmente em Gaza é o transporte", explica.
Guerra de Israel segue devastando Gaza
A iniciativa ocorre em um contexto de devastação prolongada em Gaza. Mais de 73 mil pessoas morreram desde o início da guerra, em 7 outubro de 2023, e mais de 173 mil ficaram feridas, segundo o Ministério da Saúde do território palestino, que está sob a autoridade do Hamas e cujos números são considerados confiáveis pela ONU.
Autoridades locais e organismos internacionais afirmam que milhares de corpos ainda permanecem sob os escombros.
Agências da ONU também alertam que Gaza concentra atualmente um dos maiores números de crianças amputadas proporcionalmente à população em todo o mundo.