Em Gaza, jovens amputadas vítimas da guerra encontram no futebol um caminho para recomeçar

Enquanto os amantes do futebol acompanham a reta final da Copa do Mundo nos Estados Unidos, a poucos dias da decisão entre Espanha e Argentina, um grupo de jovens amputadas tenta reconstruir a própria vida por meio do esporte na Faixa de Gaza. Vítimas da guerra no território palestino, elas formaram uma equipe de futebol feminino e treinam regularmente, apesar das dificuldades impostas pelo conflito.

17 jul 2026 - 11h35

Rami al Meghari, correspondente da RFI em Gaza, e Frédérique Misslin, em Jerusalém

Uma jovem palestina amputada aguarda para disputar uma partida de futebol no âmbito do “Torneio da Esperança”, organizado pela associação Deniz Feneri e pela Associação Palestina de Futebol para Amputados em Deir al-Balah, no centro da Faixa de Gaza, em 17 de novembro de 2025.
Uma jovem palestina amputada aguarda para disputar uma partida de futebol no âmbito do “Torneio da Esperança”, organizado pela associação Deniz Feneri e pela Associação Palestina de Futebol para Amputados em Deir al-Balah, no centro da Faixa de Gaza, em 17 de novembro de 2025.
Foto: AFP - BASHAR TALEB / RFI

Em um campo simples, vestindo uniformes amarelos e vermelhos, as jogadoras se deslocam com o auxílio de muletas durante os treinos.

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Ferida durante a guerra, Farra, de 16 anos, foi tratada na Jordânia e recebeu uma prótese para substituir a perna direita amputada.

"Eu adoro futebol. Depois do ferimento, comecei a jogar e a treinar", conta.

A equipe reúne atualmente 13 jogadoras adultas e realiza treinamentos uma vez por semana.

"É minha primeira experiência. Ver meninas como eu me deu coragem e esperança. Isso me ajudou a mudar minha maneira de pensar", diz Farra Abu Qainas, que perdeu a perna após um bombardeio atingir a casa de um vizinho.

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Treinos em meio à destruição

O treinador Abu Ghalion diz que enfrenta enormes dificuldades para manter o projeto. Segundo ele, o objetivo é preparar a equipe para disputar uma competição internacional no próximo ano.

"Hoje, a maioria dos campos foi destruída pela última guerra. Além disso, as muletas não são de boa qualidade e se quebram facilmente, mas usamos muitas delas. E o maior desafio atualmente em Gaza é o transporte", explica.

Guerra de Israel segue devastando Gaza

A iniciativa ocorre em um contexto de devastação prolongada em Gaza. Mais de 73 mil pessoas morreram desde o início da guerra, em 7 outubro de 2023, e mais de 173 mil ficaram feridas, segundo o Ministério da Saúde do território palestino, que está sob a autoridade do Hamas e cujos números são considerados confiáveis pela ONU.

Autoridades locais e organismos internacionais afirmam que milhares de corpos ainda permanecem sob os escombros.

Agências da ONU também alertam que Gaza concentra atualmente um dos maiores números de crianças amputadas proporcionalmente à população em todo o mundo. 

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