Em Angola, papa denuncia 'catástrofes sociais e ambientais' ligadas a uma 'lógica de exploração'

O papa Leão XIV denunciou neste sábado (18) as "catástrofes sociais e ambientais" ligadas a uma "lógica de exploração" das riquezas materiais, no primeiro dia de sua visita a Angola, país da África marcado por décadas de exploração de seus vastos recursos.

18 abr 2026 - 14h14

"Falei das riquezas materiais sobre as quais interesses poderosos colocam as mãos, inclusive no seu país. Quantos sofrimentos, quantas mortes, quantas catástrofes sociais e ambientais são geradas por essa lógica de exploração!", declarou ele em seu primeiro discurso diante das autoridades, no palácio presidencial de Luanda.

Papa Leão XIV antes de encontro com autoridades em Luanda, em 18 de abril de 2026.
Papa Leão XIV antes de encontro com autoridades em Luanda, em 18 de abril de 2026.
Foto: AFP - ALBERTO PIZZOLI / RFI

"Vemos agora, em todo o mundo, como ela alimenta um modelo de desenvolvimento que discrimina e exclui, mas que ainda pretende se impor como o único possível", acrescentou.

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O país, rico em petróleo e minerais, é marcado por profundas desigualdades, e cerca de um terço da população vive abaixo da linha internacional de pobreza.

Em um tom direto, Leão XIV também exortou as autoridades a não "terem medo da dissidência", em um país de população muito jovem e governado pelo mesmo partido desde a independência, em 1975.

"Angola pode crescer enormemente, se antes de tudo vocês, que têm autoridade no país, acreditarem na diversidade de suas riquezas", afirmou. "Não tenham medo da dissidência, não abafem as visões dos jovens e os sonhos dos mais velhos", acrescentou, convidando‑os a "colocar o bem comum acima dos interesses do seu próprio campo".

O pontífice americano chegou na tarde de sábado a Angola, terceira etapa de sua maratona de 11 dias pela África, onde, já na chegada, percorreu as ruas em papamóvel, saudando os fiéis reunidos ao longo do trajeto, sob o calor úmido da capital.

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Falando em português diante das autoridades, da sociedade civil e do corpo diplomático do país lusófono, entre eles o presidente João Lourenço, o chefe da Igreja Católica afirmou que Angola "possui tesouros que não podem ser vendidos nem roubados".

"Seu povo sofreu sempre que essa harmonia foi violada pela arrogância de alguns. Ele carrega cicatrizes tanto da exploração material quanto da pretensão de impor ideias aos outros", insistiu.

"A África tem uma necessidade urgente de superar as situações e fenômenos de conflito e hostilidade que dilaceram o tecido social e político de tantos países, alimentando a pobreza e a exclusão", afirmou.

Com AFP

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