E. Jean Carroll recebe US$5,63 mi devidos por Trump em caso de abuso sexual

14 jul 2026 - 18h36
(atualizado às 20h11)

A escritora E. Jean ‌Carroll recebeu quase US$5,63 milhões de Donald Trump depois que, em 2023, um júri considerou o presidente dos EUA responsável por ter abusado sexualmente dela e por difamá-la, segundo mostram os autos do processo.

Apesar das objeções de Trump, o dinheiro foi liberado para o escritório de advocacia de ⁠Carroll na segunda-feira, cinco dias depois que o juiz federal Lewis Kaplan ‌autorizou o desembolso a partir de uma conta supervisionada pelo tribunal.

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O pagamento corresponde à indenização civil original de US$5 milhões, acrescida de juros.

É a ‌primeira vez que Trump é obrigado a ‌pagar a Carroll. Ela obteve US$88,3 milhões em sentenças civis contra ⁠o presidente nos sete anos desde que ele negou, pela primeira vez, ter estuprado-a por volta de 1996, em um provador da loja de departamentos Bergdorf Goodman, em Manhattan.

Trump classificou as alegações de Carroll como uma farsa, negou conhecê-la, afirmou que ela inventou o suposto estupro para ajudar a ‌vender suas memórias e ridicularizou o caso como um caso de "instrumentalização da Justiça". ‌No mês passado, a ⁠Suprema Corte dos ⁠EUA rejeitou o recurso de Trump contra a sentença de US$5 milhões.

Um porta-voz da ⁠equipe jurídica de Trump repetiu nesta ‌terça-feira uma declaração feita após ‌a decisão de Kaplan: "O povo norte-americano está ao lado do presidente Trump ao exigir o fim imediato de todas as caças às bruxas, incluindo a farsa financiada pelos democratas das mentiras de Carroll."

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TRUMP ⁠ALERTOU SOBRE "DANO IRREPARÁVEL"

Na semana passada, o advogado de Trump solicitou a um tribunal federal de apelação que bloqueasse o pagamento, alegando que o presidente sofreria "dano irreparável" caso Carroll cumprisse sua intenção declarada de doar o dinheiro, já que provavelmente não seria possível ‌recuperá-lo.

O advogado também afirmou que não importava que Carroll agora garantisse que colocaria o dinheiro em uma conta que rende juros para financiar sua ⁠aposentadoria, pois ela ainda poderia doá-lo.

Os jurados concederam a Carroll US$5 milhões com base na negação de Trump em 2022, embora não tenham concluído que Trump a tenha estuprado.

Em 2024, um outro júri condenou Trump a pagar US$83,3 milhões a Carroll, com base em sua negação original de 2019, durante seu primeiro mandato na Casa Branca.

Espera-se que Trump recorra desse veredicto à Suprema Corte.

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A advogada de Carroll, Roberta Kaplan — que não tem parentesco com o juiz —, disse em comunicado: "Há três anos, um júri unânime de nove pessoas considerou o presidente Trump responsável por agredir sexualmente e difamar E. Jean Carroll. Temos o prazer de informar que ela recebeu a indenização que o júri lhe concedeu."

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