Donald Trump prepara bloqueio prolongado ao Irã no Estreito de Ormuz

Os esforços para encerrar a guerra no Irã chegaram a um impasse. Na terça‑feira, 28 de abril, o presidente norte‑americano, Donald Trump, afirmou que Teerã pediu o fim do bloqueio marítimo imposto pelos Estados Unidos, alegando que o país estaria à beira do colapso. Insatisfeito com a proposta apresentada pelo governo iraniano, Trump orientou seus conselheiros a se prepararem para manter o bloqueio por um período prolongado.

29 abr 2026 - 06h21

De acordo com o jornal The Wall Street Journal, essa solução é vista como a mais provável entre as três opções possíveis: retomar os bombardeios, retirar‑se do conflito ou manter o bloqueio. Na noite de terça-feira, em jantar oferecido ao rei Charles III, o presidente dos Estados Unidos voltou a afirmar que venceu a guerra no Irã, ainda na expectativa de pressionar Teerã a aceitar uma desistência do programa nuclear.

Barcos no Estreito de Ormuz em 22 de abril de 2026. (Imagem de ilustração)
Barcos no Estreito de Ormuz em 22 de abril de 2026. (Imagem de ilustração)
Foto: REUTERS - Stringer / RFI

"Nós derrotamos militarmente esse adversário específico e jamais permitiremos que esse adversário (...) possua uma arma nuclear", declarou Trump na abertura do banquete.

Esclarecimentos

O ministro da Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, deve prestar esclarecimentos nesta quarta‑feira (29) sobre a condução da guerra no Irã, durante sua primeira audiência parlamentar desde o início do conflito. O chefe do Pentágono, muito criticado pela oposição democrata, vai enfrentar as perguntas dos membros da Comissão de Forças Armadas da Câmara dos Representantes, ao lado de Dan Caine, o chefe do Estado‑Maior americano.

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Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, parlamentares dos dois partidos criticam o governo norte‑americano pela falta de informações fornecidas, já que é comum que alguns deles recebam regularmente dados classificados como sigilosos.

Hegseth deve enfrentar questionamentos incisivos da oposição democrata, num momento em que as consequências econômicas da guerra são sentidas em todo o mundo, e até mesmo na opinião pública americana, com o aumento dos preços dos combustíveis.

"Já passou da hora de ele (Hegseth) responder por uma guerra iniciada por escolha", disse a deputada democrata Maggie Goodlander.

Pedido de investigação

A condução da guerra por Pete Hegseth irrita a oposição democrata, levando parlamentares a abrirem seis processos para tentar removê‑lo do cargo, embora sem grandes chances de sucesso. Muitos congressistas, inclusive republicanos, lamentam que o governo não tenha consultado mais o Congresso antes de iniciar o conflito, já que a Constituição exige sua aprovação para declarar formalmente uma guerra.

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Os democratas tentaram várias vezes aprovar uma resolução para limitar os poderes militares de Donald Trump no Irã, mas sem êxito. Mais de uma dezena deles também pediu, na semana passada, a abertura de uma "investigação formal e imediata" sobre a morte de seis soldados americanos no Kuwait nos primeiros dias do conflito, alegando que o ministro teria "enganado o público sobre as circunstâncias do ataque".

No total, 13 militares americanos foram mortos desde 28 de fevereiro, e 400 ficaram feridos.

RFI e AFP

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