Donald Trump anunciou planos para explorar petróleo, gás e minérios na Groenlândia, chamando o território autônomo dinamarquês de "nosso". A declaração ocorre após um tratado entre EUA, Dinamarca e Groenlândia que ampliou a presença militar americana com a previsão de duas novas bases estratégicas na ilha. O local desperta forte interesse de Washington por abrigar terras raras, viabilizar novas rotas marítimas com o degelo e servir como escudo antimíssil contra ataques na rota com a Rússia.
"Uma exploração massiva de petróleo, gás e minérios está prestes a começar na nossa nova e magnífica Groenlândia (...) Especialistas afirmam que a quantidade de petróleo facilmente acessível lá é muito superior à de qualquer outro território", escreveu Donald Trump em sua plataforma, a Truth Social. O presidente dos EUA, entretanto, não forneceu detalhes concretos sobre os projetos de exploração de recursos que estão sendo planejados.
Assinado em 22 de setembro, na sede das Nações Unidas em Nova York, o acordo pôs fim a meses de debates relacionados às intenções de anexação do território por parte do governo Trump. Os Estados Unidos já mantêm um acordo de defesa com a Groenlândia desde 1951. Sua base de Pituffik, no norte do território, é um elo fundamental do sistema norte-americano antimíssil.
"Qualquer ataque contra os EUA terá de passar pela Groenlândia, onde nossos meios de defesa abaterão sistematicamente drones, mísseis ou qualquer outro tipo de armamento ainda a ser concebido", afirmou Trump.
Como parte do tratado firmado entre os Estados Unidos, a Dinamarca e a Groenlândia, Washington planeja instalar duas novas bases militares no sul e no leste da ilha ártica, aproximando-a ainda mais da esfera de influência norte-americana.
Terras raras e rotas marítimas
Antes de assinar o acordo, Trump havia provocado uma grande crise diplomática com os europeus ao ameaçar simplesmente incorporar aos Estados Unidos o território autônomo dinamarquês, cuja posição e recursos despertam grande interesse.
A Groenlândia está situada em um ponto estratégico, na rota mais curta entre a Rússia e os Estados Unidos. Além disso, o território abriga jazidas inexploradas de terras raras e poderá desempenhar um papel essencial à medida que o gelo polar derrete e novas rotas marítimas surgem.
RFI com AFP