Suspeito de 45 anos é detido pela polícia, que classificou os ataques em Golders Green como terrorismo. Vítimas, na casa dos 30 e dos 70 anos, estão em condição estável.Duas pessoas foram esfaqueadas nesta quarta-feira (29/04) e um homem de 45 anos foi detido sob suspeita de tentativa de homicídio em Golders Green, um subúrbio na zona norte de Londres, num ataque que as autoridades britânicas classificaram como antissemita e terrorista.
Segundo a organização de segurança da comunidade judaica Shomrim, um homem foi visto correndo por uma rua na região de Golders Green, armado com uma faca e tentando esfaquear transeuntes de origem judaica. Na rua está localizada uma sinagoga.
Membros desse grupo de vigilância local, que opera em áreas da capital britânica onde a comunidade judaica costuma viver, imobilizaram o suspeito antes que ele fosse preso pela polícia, que usou uma arma de choque contra o homem.
A Polícia Metropolitana informou que as vítimas, um homem na casa dos 30 anos e outro na casa dos 70, foram hospitalizadas em condição estável. A polícia disse que o suspeito também tentou esfaquear policiais, mas nenhum ficou ferido.
A investigação está sendo conduzida pela unidade especializada no combate ao terrorismo, em articulação com a Polícia Metropolitana, para esclarecer as circunstâncias do incidente.
O ocorrido foi formalmente classificado pela polícia como um "incidente terrorista", que agora investiga "se este ataque estava visando deliberadamente a comunidade judaica".
Imagens de câmeras de vigilância mostram um homem colocando uma quipá (cobertura para a cabeça usada por judeus), antes de ser esfaqueado por um passante.
Onda de violência
O incidente ocorre após ataques incendiários nas últimas semanas contra locais judaicos em Londres, incluindo ambulâncias de uma instituição de caridade em Golders Green e uma sinagoga a poucos quilômetros de distância.
Agentes antiterrorismo estão investigando se os ataques incendiários foram obra de grupos apoiados pelo Irã.
Ninguém ficou ferido nos incêndios criminosos, que ocorreram a poucos quilômetros de distância uns dos outros. Várias pessoas, de adolescentes a adultos na faixa dos 40 anos, foram detidas e acusadas.
A comunidade judaica do Reino Unido é antiga, mas pequena em termos percentuais da população, com cerca de 300 mil pessoas. O subúrbio de Golders Green, no noroeste de Londres, é um de seus epicentros, abrigando restaurantes kosher, diversas escolas judaicas e várias dezenas de sinagogas, além de grandes comunidades asiáticas e do Oriente Médio.
Antissemitismo em alta
Ao ser questionado no parlamento sobre o incidente durante o debate semanal com os deputados, o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, disse que o ataque é "profundamente preocupante".
O prefeito de Londres, Sadiq Khan, afirmou que "a comunidade judaica de Londres tem sido alvo de uma série de ataques antissemitas chocantes".
O rabino-chefe da Grã-Bretanha afirmou que os judeus do Reino Unido estão enfrentando uma campanha de violência e intimidação.
O presidente de Israel, Isaac Herzog, disse que o mundo precisa "acordar" para a onda crescente de ódio contra judeus. "Em uma das grandes capitais do Ocidente, tornou-se perigoso andar pelas ruas abertamente como judeu", escreveu no X. "Esta é uma situação inaceitável."
O número de incidentes antissemitas relatados em todo o Reino Unido aumentou drasticamente desde o ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023 e a subsequente guerra em Gaza, de acordo com a ONG Community Security Trust. O grupo registrou 3.700 incidentes em 2025, ante 1.662 em 2022.
Em outubro de 2025, um agressor atropelou com seu carro pessoas reunidas em frente a uma sinagoga em Manchester no Yom Kippur e esfaqueou uma pessoa até a morte. Outra pessoa morreu durante o ataque após ser atingida acidentalmente por um tiro da polícia.
as/ra (AP, Efe, Lusa)