Diocese católica entra com ação contra governo dos EUA para garantir acesso do clero a detidos

5 out 2026 - 20h59
Resumo
A Arquidiocese de St. Louis processou o governo dos EUA por barrar o acesso adequado de padres a imigrantes detidos no Missouri. Segundo a ação, restrições locais que impõem divisórias de vidro violam diretrizes federais e impedem sacramentos essenciais, como a confissão presencial e a comunhão, violando preceitos católicos. A diocese reivindica que a assistência religiosa tenha o mesmo nível de acesso e privacidade garantido a advogados e diplomatas para atender os cerca de 150 detentos.

A Arquidiocese Católica de St. ‌Louis entrou com uma ação judicial contra o governo federal nesta segunda-feira, alegando que os detidos em um centro de detenção de imigrantes no Missouri estão sendo privados do direito de conversar em particular com padres ou de receber sacramentos como a comunhão e a confissão.

A ação, movida no tribunal federal para ⁠o Distrito Leste do Missouri contra altos funcionários do Departamento de Segurança Interna (DHS) ‌e o xerife local, alega que o clero só pode visitar os detidos na Cadeia do Condado de Saint Genevieve durante um intervalo de quatro ‌horas às segundas-feiras e só pode falar ‌com eles por meio de um aparelho telefônico através de uma divisória ⁠de vidro.

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Em seu site, o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) afirma que os clérigos podem visitar os detidos a qualquer momento, desde que notifiquem o gabinete do xerife. A ação alega que o ICE não está cumprindo sua própria política.

"Como bispo, sou responsável por cada alma em minha arquidiocese, e isso inclui ‌aqueles que estão nas prisões", disse o arcebispo de St. Louis, Mitchell Rozanski, ‌à Reuters. A maioria ⁠dos cerca de 150 ⁠detidos por questões de imigração mantidos na instalação são católicos hispânicos, informou a diocese.

Rozanski disse ⁠que a falta de privacidade impede ‌os padres de exercerem suas ‌funções pastorais.

"Eles não podem ouvir confissões, não podem celebrar a missa, não podem conceder a unção dos enfermos a nenhum dos detidos", disse ele, o que, na prática, "priva os detidos de seus direitos de ter acesso ⁠a esses sacramentos".

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O ICE, o DHS, a Cadeia do Condado de Saint Genevieve e o gabinete do xerife do condado não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.

Os detidos fazem parte de uma ampla campanha de repressão à imigração e deportação promovida pelo governo Trump, ‌que tem sido condenada por grupos de direitos humanos que alegam abusos generalizados de direitos — o que o ICE nega.

A lei católica não permite que ⁠os padres ouçam confissões por meios eletrônicos. Além disso, o uso de linhas não privadas nos telefones da prisão também violaria o sigilo da confissão, uma ofensa passível de excomunhão.

Quando os padres solicitaram permissão para ver os detidos a fim de lhes dar a comunhão, a prisão propôs que os padres colocassem as hóstias consagradas em um recipiente e que um guarda entregasse o recipiente ao detido — uma proposta que Rozanski chamou de "sacrílega".

A Eucaristia, que os católicos acreditam conter a presença real de Deus, deve ser manuseada apenas por padres ou ministros ordenados.

Em sua ação judicial, a arquidiocese solicita que os padres e outros membros do clero tenham o mesmo nível de acesso concedido a funcionários consulares e advogados ao visitarem a prisão.

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