Cinco anos após o ataque de 6 de janeiro de 2021 ao Capitólio dos Estados Unidos, democratas do Congresso acusaram os republicanos de "encobrirem" a história, enquanto o presidente Donald Trump fazia um discurso otimista a parlamentares aliados com pouca menção ao motim de seus apoiadores.
Os eventos contrastantes estamparam o equilíbrio de poder em Washington. Democratas tentaram reavivar as lembranças do ataque, no qual milhares de apoiadores de Trump fizeram, numa tentativa malsucedida de anular sua derrota na eleição de 2020, com que parlamentares fugissem para salvar suas vidas.
Enquanto isso, Trump fez piadas e dançou ao som de sua música característica, "YMCA", em um local icônico de artes cênicas em Washington, batizado em homenagem ao ex-presidente John F. Kennedy, que o governo Trump agora renomeou de "Trump-Kennedy Center".
Em um discurso de 82 minutos para os republicanos da Câmara, ele mencionou brevemente o tumulto, criticando a investigação do Congresso e a cobertura jornalística do ataque. A Casa Branca de Trump divulgou um site que culpava a polícia do Capitólio por transformar uma "manifestação pacífica em caos".
Mais tarde, nesta terça-feira, cerca de 150 apoiadores de Trump trocaram insultos com manifestantes contrários enquanto marchavam para o Capitólio, onde cantaram o hino nacional e outras músicas.
A marcha foi organizada por Enrique Tarrio, ex-líder do grupo de extrema-direita Proud Boys, condenado a 24 anos de prisão após ser considerado culpado de ajudar a planejar o ataque. Tarrio foi um dos mais de 1.500 participantes do 6 de janeiro que foram perdoados por Trump quando retornou à Casa Branca, no ano passado.
Trump enfrentou amplas críticas bipartidárias após o ataque de 6 de janeiro e a Câmara aprovou um impeachment contra ele pela segunda vez, embora o Senado, controlado pelos republicanos, não tenha conseguido condená-lo. Trump também enfrentou um processo criminal federal, interrompido pela Suprema Corte.
O ataque ocorreu após meses de alegações infundadas de Trump de que a eleição de 2020 havia sido roubada dele.
Cerca de 140 policiais ficaram feridos e quatro pessoas morreram durante o ataque, incluindo um apoiador de Trump, morto a tiros pela polícia. Um policial, que foi atacado por manifestantes, morreu no dia seguinte. Quatro outros policiais morreram posteriormente por suicídio.
Democratas alertaram que as ameaças à integridade das eleições e ao Estado de Direito representadas por Trump não diminuíram.
"Donald Trump e extremistas de extrema-direita no Congresso tentaram repetidamente reescrever a história e encobrir os terríveis eventos de 6 de janeiro. Não permitiremos que isso aconteça", disse o líder democrata da Câmara, Hakeem Jeffries, em um fórum para marcar o aniversário do ataque.
O governo Trump solicitou as listas de registro de eleitores dos estados, o que gerou temores de que as informações pudessem ser usadas indevidamente. Trump pediu aos estados que abandonem as cédulas de votação pelo correio e deu a entender que poderia concorrer a um terceiro mandato presidencial em 2028, o que violaria a Constituição dos EUA.
Trump advertiu que democratas podem aprovar um impeachment contra ele pela terceira vez se ganharem o controle da Câmara nas eleições de novembro para o Congresso.
Alguns republicanos culparam ativistas de extrema-esquerda pelo ataque, sem nenhuma evidência, e parlamentares do partido criaram um novo comitê para "descobrir toda a verdade" sobre o incidente.
"A verdadeira responsabilidade exige foco nos fatos, não na narrativa seletiva para ganho partidário", disse o presidente do subcomitê, Barry Loudermilk, antes da audiência dos democratas.
O deputado democrata Jamie Raskin, líder do esforço de impeachment e da investigação subsequente sobre o ataque, acusou os republicanos de não fazerem "exatamente nada" para marcar o quinto aniversário.
"As pessoas que tentaram destruir nossa ordem constitucional serão lembradas como traidores fascistas de seu próprio país", disse.