"Cacofonia e posições inflexíveis" é o título de uma matéria do jornal Le Parisien, que destaca que os três candidatos à prefeitura de Paris se confrontaram sem se escutar uns aos outros. "No final, nada muda a poucos dias do segundo turno", afirma a matéria.
Na reta final desta campanha estão o socialista Emmanuel Grégoire, que liderou o primeiro turno com quase 38% dos votos, seguido pela conservadora Rachida Dati, do partido Os Republicanos, que obteve quase 25,5% dos votos, e Sophia Chikirou, da legenda da esquerda radical França Insubmissa, que chegou em terceiro lugar, com quase 12% da preferência do eleitorado parisiense.
O debate entre eles foi um momento muito esperado, mas arriscado por ser o único desta campanha à prefeitura de Paris. Segundo o Le Parisien, a primeira meia hora de duelo foi exclusivamente marcada pelas acusações entre o trio. Os dois esquerdistas não pouparam Dati, segundo os quais, quer ser "uma prefeita dos ricos". Já a conservadora acusou os rivais de serem extremistas e apoiadores do movimento antifascista Jovem Guarda, envolvido na morte de um militante da extrema direita no início deste ano.
No "fogo cruzado"
Nas duas horas e meia que se seguiram, o socialista se viu frequentemente no alvo das duas rivais, a ponto de a mediadora do debate, a jornalista Apolline de Malherbe, perguntar se Dati e Chikirou - de ideologias políticas opostas - haviam se tornado cúmplices.
"Azar de Grégoire", diz o jornal Le Monde, sobre o sorteio que estabeleceu o posicionamento dos candidatos na bancada e deixou o socialista entre as duas "no fogo cruzado", brinca o diário. Por outro lado, o candidato não hesitou em evocar o julgamento por corrupção que Dati enfrentará em setembro, observações que visivelmente irritaram a candidata conservadora.
Poucas propostas
Ao final, pouco foi discutido sobre as questões que interessam os eleitores parisienses, como a segurança, diz Le Parisien. A abordagem deste assunto se limitou ao conhecimento dos rivais sobre quantidade de câmeras na capital francesa e o custo da instalação delas.
Já a questão das violências sexuais nas escolas francesas - um problema que preocupa as famílias - ocupou um espaço importante no debate, diz o site da France Info, mas sem propostas concretas da parte dos candidatos. Dati apontou a responsabilidade de Grégoire no escândalo de pedofilia envolvendo monitores de escolas. O socialista reconheceu os erros graves nas administrações dos estabelecimentos escolares, mas "em todos os setores que acolhem crianças na França e não apenas em Paris", ponderou.
"Difícil de imaginar que esse debate influencie a escolha dos eleitores", conclui Le Parisien. Para o diário, o duelo não deverá ter uma grande influência nas urnas no próximo domingo.