A ONU alertou que a epidemia de Ebola na República Democrática do Congo avança de forma exponencial, atingindo uma área maior que a França. Com mais de 2.500 mortes — metade nos últimos 20 dias —, o surto já é o mais letal da história do país e supera a capacidade de resposta. A crise é causada pela cepa Bundibugyo, que ainda não possui vacina ou tratamento licenciados, embora ensaios clínicos estejam em andamento para conter o avanço sem precedentes da doença.
"A epidemia de Ebola está avançando de forma exponencial. O surto se espalha por uma área que hoje é maior do que a França", afirmou Harneis. O coordenador da ONU estava em Bunia, na República Democrática do Congo, enquanto a coletiva de imprensa foi realizada em Genebra.
Até o momento, a epidemia já provocou mais de 2.500 mortes. "O número de vítimas continua aumentando diariamente", acrescentou. Segundo ele, metade dos óbitos foi registrada nos últimos 20 dias.
"A propagação da doença está superando nossa capacidade de resposta. O surto está se intensificando e se espalhando mais rapidamente do que os esforços mobilizados em toda a região", enfatizou.
Não há vacina licenciada para a cepa Bundibugyo
Não existe vacina licenciada nem tratamento específico para a cepa Bundibugyo do vírus Ebola, apontada como responsável pelo surto atual.
No entanto, ensaios clínicos estão em andamento. Além disso, 70 mil doses da vacina Ervebo, desenvolvida contra a cepa Zaire do vírus, foram enviadas à RDC para avaliar sua eficácia também contra a variante Bundibugyo.
O surto mais letal já registrado na RDC
Declarado em 15 de maio, o surto superou em apenas três meses a epidemia registrada entre 2018 e 2020 no leste da RDC, até então considerada a mais letal da história do país.
De acordo com o Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC), em apenas três meses foram registrados na RDC sete vezes mais casos e cinco vezes mais mortes do que nos três primeiros meses do maior surto de Ebola já documentado, que matou mais de 11.300 pessoas na África Ocidental entre 2014 e 2016.
Com RFI