Com guerra e alta do petróleo, fabricantes alertam para aumento no preço de preservativos

A guerra no Oriente Médio vem afetando gravemente as cadeias globais de suprimentos, e praticamente nenhum setor está imune. Depois da gasolina, dos fertilizantes e dos alimentos, o preço dos preservativos deve subir nos próximos meses.

24 abr 2026 - 10h53

A Karex, líder mundial do setor e fabricante dos preservativos das marcas Trojan e Durex, anunciou nesta sexta-feira (24) que reajustou seus preços em até 30%. Segundo a empresa, o aumento está diretamente ligado à alta dos custos desde o início do conflito no Oriente Médio.

Imagem de ilustração. A guerra no Oriente Médio ameaça aumentar os preços dos preservativos no mundo.
Imagem de ilustração. A guerra no Oriente Médio ameaça aumentar os preços dos preservativos no mundo.
Foto: © Mint Images - Paul Edmondson Premium Access / RFI

"Estamos enfrentando prazos de entrega mais longos por parte de nossos fornecedores, maior volatilidade de preços e custos de frete mais elevados", afirmou o diretor-presidente da Karex, Goh Miah Kiat. "Ao mesmo tempo, também estamos estocando maiores volumes de matérias-primas essenciais para manter as operações da empresa, o que nos obriga a elevar os preços em até 30%", acrescentou.

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A Karex fabrica mais de cinco bilhões de preservativos por ano e fornece produtos a organizações como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS). Outros produtos da empresa também tiveram reajustes, incluindo lubrificantes íntimos, bainhas para cateteres e embalagens de alumínio.

Outra companhia do setor, a Top Glove - importante fabricante de luvas descartáveis - informou que o custo da borracha sintética dobrou recentemente.

Grande parte da indústria de borracha da Malásia, onde estão sediadas as duas empresas, depende do petróleo como insumo básico. O fornecimento, no entanto, tem sido dificultado desde que o Irã impôs o fechamento do Estreito de Ormuz.

No caso das luvas descartáveis, por se tratarem de dispositivos médicos, a produção é submetida a normas rigorosas, o que limita a capacidade dos fabricantes de alterar rapidamente suas fórmulas ou matérias‑primas.

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Com o preço do barril de petróleo em torno de US$ 100, o óleo de silicone - um derivado petroquímico usado como lubrificante - registrou alta de quase 30%, segundo a Bloomberg. Já o preço da borracha nitrílica, material sintético especialmente resistente utilizado na fabricação de preservativos sem látex, mais que dobrou nos últimos meses, de acordo com a mesma fonte.

A borracha natural também segue a tendência de valorização. Segundo o site Trading Economics, os compradores tendem a recorrer a essa matéria‑prima quando o custo da borracha sintética aumenta, o que, por sua vez, contribui para a alta de seu preço.

O setor de embalagens também é impactado. Em abril, o preço do alumínio atingiu US$ 3.672 por tonelada, o maior nível desde março de 2022.

Aumento da demanda

Nesse contexto, os aumentos de custo devem ser repassados aos consumidores finais. O cenário também alimenta temores de uma possível escassez de preservativos.

Além das interrupções nas cadeias de suprimentos, que vêm desacelerando a produção, a demanda por preservativos cresceu cerca de 30% em relação ao ano anterior.

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Esse aumento é atribuído, em grande parte, à redução do apoio da agência americana USAID, decidida pelo presidente Donald Trump, o que levou ao esgotamento de estoques e obrigou organizações humanitárias a comprar diretamente no mercado comercial.

A Karex estima conseguir manter a produção por mais dois ou três meses. Ainda assim, especialistas já falam em risco de desabastecimento.

Na China, a hashtag "#aumentodepreçosdepreservativos", em mandarim, viralizou recentemente nas redes sociais, segundo a agência Reuters. Usuários passaram a incentivar compras em grande escala, enquanto autoridades chinesas adotam uma série de medidas para tentar conter a queda da taxa de natalidade no país.

RFI e AFP

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