'Colapso' do sistema de segurança no Golfo é a principal consequência da guerra, afirma Catar

A consequência mais importante da guerra no Oriente Médio é o "colapso" do sistema de segurança no Golfo, abalado pelos ataques iranianos contra infraestruturas vitais, afirmou nesta terça‑feira (24) o porta‑voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar. Ao mesmo tempo, ataques mútuos entre Irã e Israel continuam em meio a uma esperança ainda frágil de possíveis negociações entre Teerã e Washington para uma trégua no Oriente Médio, após declarações contraditórias de Donald Trump.

24 mar 2026 - 13h00

"Os Estados do Golfo, que trabalharam em estreita coordenação e de forma paralela para garantir sua segurança, precisam reavaliar, após a guerra, o que realmente significa um quadro comum de segurança regional", declarou Majed al‑Ansari durante uma coletiva de imprensa, lamentando o "colapso do sistema de segurança" regional como a primeira consequência das hostilidades. 

As autoridades iranianas anunciaram nesta terça‑feira a prisão de 466 pessoas acusadas de tentar desestabilizar o país pela internet. Nenhum detalhe adicional foi divulgado sobre a natureza das acusações, nem sobre as datas ou locais das detenções. 

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Em seguida, o Conselho de Direitos Humanos da ONU anunciou que se reunirá na quarta‑feira (25) em caráter de urgência para debater os ataques do Irã contra vários países do Golfo e suas consequências para os direitos humanos na região. 

Negociações com EUA 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirma que sua administração está em contato com um "alto dirigente" iraniano não identificado e deu a si mesmo cinco dias para avançar antes de retomar os bombardeios. 

Mas Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano - apontado pelo site Axios como esse suposto interlocutor - negou categoricamente a existência de qualquer negociação, em um momento em que o conflito, em sua quarta semana, paralisa parte do transporte global de hidrocarbonetos. 

Mais desdobramentos da guerra  

Enquanto Israel contabiliza feridos, prédios destruídos e ruas cobertas de destroços na manhã de terça‑feira em Tel Aviv, Arábia Saudita e Kuwait anunciaram estar enfrentando ataques de drones e mísseis. 

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Por sua vez, o exército israelense afirmou ter realizado "uma série de ataques em larga escala (...) em várias regiões do Irã", incluindo Isfahan, terceira maior cidade do país. Um projétil atingiu os arredores de uma estação de tratamento do gasoduto de Khorramshahr (sudoeste), informou a agência de notícias Fars. 

O exército israelense também afirmou que vai ocupar uma área no sul do Líbano que se estende da fronteira até o rio Litani, cerca de 30 quilômetros ao norte, para garantir sua segurança, segundo o ministro da Defesa, Israel Katz, nesta terça‑feira. 

Um funcionário civil marroquino que trabalhava para o exército dos Emirados Árabes Unidos foi morto durante um ataque com míssil iraniano no Bahrein, informou nesta terça‑feira o Ministério da Defesa. Outras cinco pessoas que trabalhavam para o Ministério da Defesa dos Emirados também ficaram feridas, acrescentou a pasta, sem informar se eram militares. 

Mais cedo, o Ministério da Defesa do Bahrein havia anunciado a morte de um "militar" emiradense, morto "ao repelir" um ataque iraniano. Nenhum dos dois ministérios forneceu mais detalhes sobre a ofensiva nem sobre o local exato onde ela ocorreu. 

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Com AFP

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