China acelera na corrida da inteligência artificial com estratégia baseada em baixo custo

Em seu discurso de abertura da Conferência Mundial de Inteligência Artificial de Xangai, nesta sexta-feira (17), o presidente chinês Xi Jinping defendeu a cooperação internacional e uma abordagem global centrada no ser humano. Um discurso que tem como pano de fundo a rápida recuperação da China na corrida pela IA graças a uma aposta econômica e a atores como DeepSeek e Zhipu, que se apresentam como potenciais futuros gigantes da inteligência artificial made in China.

17 jul 2026 - 15h49

Agnieszka Kumor, da RFI em Paris

Criada em 2018, Conferência Mundial de Inteligência Artificial, que acontece este ano entre 17 e 20 de julho, se tornou indispensável no setor e serviu para reforçar o posicionamento do país como líder internacional.

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Em seu discurso de abertura, Xi Jinping defendeu a cooperação internacional na área. O presidente chinês afirmou que a IA não deve ser privilégio de um único país e defendeu uma abordagem global centrada no ser humano, além de uma regulação para enfrentar os riscos. Colocar o tema em pauta é um forte sinal enviado pela China, que se tornou indispensável na corrida global pela inovação, a ponto de levantar questionamentos sobre seu peso diante dos gigantes americanos.

Em janeiro de 2025, a startup chinesa DeepSeek lançou um novo modelo de IA de altíssimo desempenho, suficiente para abalar Wall Street e provocar a queda das ações de tecnologia nos Estados Unidos. Em junho de 2026, foi a vez de outro laboratório chinês, a Zhipu, também chamada de Z.ai, apresentar a mais recente versão de seu modelo de IA, o GLM-5.2. O momento escolhido não foi por acaso: ao mesmo tempo, nos Estados Unidos, a OpenAI e sua principal concorrente, a Anthropic, viram a publicação de vários de seus modelos mais avançados ser adiada pelas autoridades.

Além disso, enquanto as duas empresas americanas, criadoras respectivamente do ChatGPT e do Claude, preparam suas ofertas públicas iniciais de ações e buscam a todo custo o apoio financeiro do governo Trump, elas enfrentam um ambiente cada vez mais hostil nos Estados Unidos. O público e os políticos americanos levantam dúvidas sobre a construção de imensos centros de dados e sobre os efeitos da inteligência artificial na cibersegurança e no emprego.

Enquanto os americanos se dividem, os chineses aceleram. Segundo alguns especialistas, os gigantes chineses da IA estariam agora apenas seis meses atrás dos líderes do setor, como OpenAI, Anthropic e Google.

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Dois modelos econômicos opostos

Essa diferença diminui justamente no momento em que ocorre uma mudança entre as empresas que adotam a IA. Elas buscam, simplesmente, retorno sobre o investimento. E é aí que os chineses têm uma carta na manga, avalia Michael Aim, fundador da Datamensio, uma plataforma dedicada à transformação empresarial.

"Os Estados Unidos estão na vanguarda, com o que chamamos de modelos de fronteira, ou seja, os modelos mais avançados. Em contrapartida, os modelos chineses estão voltados para a industrialização. O que é preciso entender é que os modelos americanos são bastante caros, e a China escolheu outra forma de fazer as coisas, com inteligências artificiais que são, de fato, um pouco menos eficientes, mas muito mais baratas", explica.

Dentro das empresas, a IA continua sendo adotada de forma desigual. Abriu-se um fosso entre aquelas que apenas testam ferramentas isoladas e aquelas que integraram a inteligência artificial para impulsionar seu crescimento. A constatação dos especialistas é a seguinte: para ser economicamente viável, a IA precisa custar menos.

"Os chineses compreenderam muito bem que o problema estava realmente na integração aos processos das empresas", analisa Michael Aim. "Eles partiram para um modelo econômico completamente diferente: de baixo custo, menos eficiente, mas amplamente suficiente para o uso de uma empresa comum."

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E, se os modelos chineses são mais baratos, é "porque as infraestruturas custam menos. No fim das contas, isso se reflete nos preços", conclui o especialista.

Consequentemente, a guerra tecnológica entre os Estados Unidos e a China é hoje também uma guerra de preços, como já aconteceu com os veículos elétricos. Por exemplo, o Claude Fable 5, da Anthropic, custa 2,75 dólares (cerca de R$ 14) por tarefa de inteligência, contra 0,37 dólar (menos de R$ 2) do GLM-5.2, da chinesa Z.ai, ou seja, sete vezes menos. Algumas empresas americanas já começam a aderir a essa tendência: a Microsoft, apesar de ser parceira da Anthropic, estaria considerando integrar o modelo chinês da DeepSeek ao seu assistente de IA, o Copilot.

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