Uma foto divulgada na internet no fim de semana mostra um soldado atingindo com o lado cego de um machado uma escultura de Jesus crucificado, que havia caído de sua cruz. A imagem foi publicada por Younis Tirawi, que se apresenta como jornalista palestino e também divulgou imagens do que parecem ser atos indevidos de soldados israelenses em Gaza.
A agência Reuters verificou que a imagem foi registrada em Debel, uma das raras aldeias do sul do Líbano onde moradores permaneceram apesar de uma campanha militar israelense contra o Hezbollah, apoiado pelo Irã, lançada em 2 de março após disparos de foguetes do grupo xiita contra Israel em apoio a Teerã.
A cruz fazia parte de um pequeno santuário no jardim de uma família que vive na periferia da aldeia, afirmou Fadi Falfel, padre em Debel (sul).
"Um dos soldados israelenses quebrou a cruz e cometeu esse ato horrível, essa profanação de nossos símbolos sagrados", disse ele.
O ministro das Relações Exteriores, Gideon Saar, classificou os atos do soldado como "vergonhosos e escandalosos". "Pedimos desculpas por esse incidente e a todos os cristãos cujos sentimentos foram feridos", afirmou Gideon Saar na rede X.
"Máxima gravidade"
O Exército israelense informou que uma investigação está em andamento sobre o caso.
"As Forças de Defesa de Israel (FDI) consideram esse incidente com a máxima gravidade e destacam que o comportamento do soldado é totalmente incompatível com os valores esperados de suas tropas", afirmou o Exército. "As FDI estão trabalhando para ajudar a comunidade a recolocar a estátua em seu lugar."
Debel é uma das dezenas de aldeias no sul do Líbano atualmente sob ocupação israelense efetiva. Na quinta-feira, Israel e Líbano concordaram com um cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos, com o objetivo de encerrar os combates entre Israel e o Hezbollah.
"Estamos enfrentando todo tipo de crise", afirmou Fadi Falfel.
"Acreditávamos que o cessar-fogo nos traria um pouco de alívio, mas ainda estamos cercados, incapazes de ir à cidade ou sair dela. Há casas na periferia da cidade às quais não temos acesso."
Autoridades militares israelenses afirmam que estão cooperando com organizações humanitárias para atender às necessidades de Debel e de outras aldeias.
Com AFP