Centenas seguem desaparecidas na Colômbia após terremoto e desespero toma operações de resgate

13 ago 2026 - 17h55
(atualizado às 18h47)

As esperanças de encontrar mais sobreviventes ‌do forte terremoto que abalou a Colômbia no início desta semana esvaíam-se nesta quinta-feira, à medida que equipes de resgate restringiam suas buscas enquanto as famílias nas áreas mais atingidas aguardavam notícias de parentes desaparecidos.

Em Cali, terceira maior cidade do país, equipes passaram a concentrar-se na remoção de escombros na maioria dos locais, em vez das operações de busca e resgate, em um sinal de que a resposta ao desastre entra agora em uma fase mais sombria após as ⁠cruciais primeiras 72 horas.

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O terremoto de magnitude 7,4 ocorreu pouco depois das 7h30 da manhã (horário local) na segunda-feira, derrubando prédios de ‌apartamentos, danificando casas, escolas e hospitais e levando os moradores às ruas em toda a região oeste da Colômbia, onde se concentram as fazendas de café do país.

Pelo menos 273 pessoas morreram -- muitas em Cali e Pereira, cidade na ‌região cafeeira -- e mais de 3.800 ficaram feridas, segundo dados do governo divulgados ‌na manhã desta quinta-feira. O governo informou que 377 pessoas continuam desaparecidas.

Em Pereira, Enrique Marín contou que dirigiu ⁠por mais de 10 horas desde Bogotá após receber a ligação de um amigo que lhe disse que a mãe de Marin estava presa sob os escombros de sua casa.

"Minha mãe foi resgatada seis horas após o terremoto. Eles a retiraram com sinais vitais, mas ela morreu a caminho do hospital", disse Marín à Reuters em frente aos escombros, segurando uma bicicleta de sua infância -- único item que conseguiu recuperar da casa.

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Ele disse que sua mãe foi encontrada de pijama, ‌com as chaves de casa ainda na mão.

No complexo residencial Torres del Limonar, no sul de Cali, equipes de resgate com ‌baldes e guindastes continuavam a procurar por ⁠15 pessoas desaparecidas. As equipes ⁠de resgate encontraram sete sobreviventes e 13 corpos no local.

Mônica Mina, dona de restaurante de 38 anos, disse à Reuters que ela e ⁠outros chefs da cidade estavam trabalhando quase sem parar para distribuir ‌cerca de 1.000 refeições por dia -- incluindo ‌ovos mexidos e pedaços de carne de porco -- para equipes de resgate, médicos e voluntários.

DESAFIO PARA NOVO GOVERNO

Longe dos grandes centros urbanos, grupos de resgate afirmaram que cidades menores e comunidades pequenas ainda enfrentavam dificuldades, com pouca ou nenhuma resposta do governo colombiano.

Nazly Lozano, assistente de programa do Comitê Internacional de Resgate (IRC, na sigla em ⁠inglês) na cidade portuária de Buenaventura, a noroeste de Cali, disse que as equipes de resgate só chegaram a algumas áreas atingidas na noite de quarta-feira, deixando os moradores locais a cavar os escombros com as próprias mãos em uma busca desesperada por sobreviventes.

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Funcionários do IRC relataram que alguns bairros de Buenaventura continuam inacessíveis devido à presença de grupos armados. Alguns deles apreenderam doações de alimentos, prometendo distribuir os itens por ‌conta própria. Moradores ainda carecem de serviços básicos, como água e eletricidade, e estão usando toras de madeira para preparar refeições, segundo os funcionários do IRC.

Mais de 150 réplicas do tremor foram registradas desde segunda-feira, aumentando os riscos ⁠tanto para as equipes de resgate que vasculham os escombros quanto para as pessoas que ficaram desabrigadas devido ao terremoto inicial, um dos mais fortes sentidos na Colômbia nas últimas décadas.

O governo estimou que o terremoto destruiu mais de 12.500 casas.

O presidente Abelardo De La Espriella, que assumiu o cargo poucos dias antes do desastre, disse na quarta-feira que iria declarar emergência econômica e criar um fundo de reconstrução para canalizar a ajuda nacional e internacional para a reconstrução de hospitais, escolas, casas e infraestrutura.

O desastre está se configurando como o primeiro grande teste para o presidente conservador, que fez campanha prometendo cortar gastos públicos e agora enfrenta a tarefa de financiar o socorro e a reconstrução, ao mesmo tempo em que precisa demonstrar que seu governo é capaz de administrar uma crise nacional.

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Autoridades colombianas também rebateram as críticas sobre o gerenciamento da assistência estrangeira, afirmando que o governo não rejeitou a oferta de nenhum país, mas aceitará apenas equipes internacionais de busca e resgate que atendam a padrões de certificação reconhecidos.

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