A QatarEnergy, estatal de energia do Catar, invocou nesta terça-feira (24) a cláusula de força maior em alguns de seus contratos de longo prazo para o fornecimento de gás natural liquefeito (GNL) para Itália, Bélgica, Coreia do Sul e China, em decorrência dos ataques iranianos contra suas instalações.
"Os danos sofridos pelas instalações de GNL levarão de três a cinco anos para ser reparados", afirmou Saad Sherida Al-Kaabi, ministro da Energia do Catar e presidente e CEO da QatarEnergy.
"O impacto se estende à China, Coreia do Sul, Itália e Bélgica. Isso significa que seremos obrigados a declarar força maior por até cinco anos em alguns contratos de longo prazo de GNL", acrescentou.
Dessa forma, a QatarEnergy ficará isenta de cumprir suas obrigações contratuais, o que pode prejudicar o fornecimento aos países afetados. Desde o início da invasão russa à Ucrânia, em 2022, a Itália vem fortalecendo as parcerias com nações do Oriente Médio, incluindo o Catar, para reduzir sua dependência energética em relação a Moscou.
O emirado, no entanto, se tornou um dos alvos preferenciais das represálias do Irã por conta da guerra lançada por Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro, já que abriga instalações militares americanas usadas para ataques.
Segundo o governo catariano, os danos provocados por bombardeios à planta de Ras Laffan, a principal usina de GNL no mundo, devem comprometer 17% da capacidade de exportação do país no setor pelos próximos cinco anos.