Brasileiro da flotilha para Gaza é levado a Israel e será interrogado após detenção

O ativista brasileiro Thiago Ávila, um dos organizadores da "Flotilha para Gaza", foi levado a Israel neste sábado (2) após ser detido em águas internacionais perto de Creta, na operação que interceptou mais de vinte embarcações rumo à Faixa de Gaza. Ávila será interrogado sob suspeita de "atividades ilegais", segundo o governo israelense. Mais de 170 militantes foram liberados na Grécia, mas ele segue detido em meio a denúncias de violência e acusações de violações do direito internacional.

2 mai 2026 - 10h57
(atualizado às 18h11)
Foto ilustrativa: o ativista brasileiro Thiago Ávila conversa com a ativista sueca Greta Thunberg durante uma coletiva de imprensa antes da partida da Flotilha Global Sumud, uma expedição humanitária para Gaza, no porto de Barcelona, Espanha, em 31 de agosto de 2025.
Foto ilustrativa: o ativista brasileiro Thiago Ávila conversa com a ativista sueca Greta Thunberg durante uma coletiva de imprensa antes da partida da Flotilha Global Sumud, uma expedição humanitária para Gaza, no porto de Barcelona, Espanha, em 31 de agosto de 2025.
Foto: REUTERS - Eva Manez / RFI

Dois militantes da "Flotilha para Gaza", detidos ao largo da Grécia na quinta‑feira (30), chegaram a Israel, onde serão "interrogados", anunciou neste sábado o Ministério das Relações Exteriores israelense.

Segundo essa fonte, o espanhol Saif Abu Keshek é "um dos dirigentes" da Conferência para os Palestinos no Exterior (PCPA), associação humanitária acusada pelos Estados Unidos e por Israel de ser ligada ao movimento islamista palestino Hamas, que controla Gaza.

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O brasileiro Thiago Ávila, um dos principais organizadores da flotilha, também "trabalha com a PCPA e é suspeito de atividades ilegais", afirma o ministério na plataforma X, indicando que os dois homens serão "transferidos para serem interrogados".

Os 175 militantes, que estavam em cerca de vinte barcos dessa nova flotilha, foram detidos. Segundo os organizadores, eles buscava romper o bloqueio israelense à Faixa de Gaza, onde o acesso à ajuda humanitária continua fortemente restrito.

Intercepção ocorreu longe de Gaza, em águas internacionais

A prisão, "conduzida pacificamente", segundo Israel, ocorreu a centenas de quilômetros de Gaza, em águas internacionais ao largo de Creta, muito mais longe da costa israelense do que nas interceptações anteriores de flotilhas.

Israel liberou todos os militantes na Grécia após um acordo com as autoridades gregas, exceto Thiago Ávila e Saif Abu Keshek.

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A Espanha havia inicialmente exigido a "libertação imediata" do cidadão espanhol, garantido que estava "em contato permanente com a diplomacia israelense e grega". Madri prometeu oferecer "toda a proteção" a Saif Abu Keshek "assim que ele pudesse chegar ao território israelense".

Os dois militantes "terão direito a uma visita dos representantes consulares de seus respectivos países", precisou neste sábado o Ministério das Relações Exteriores israelense na plataforma X.

Espanha denuncia violações e critica governo Netanyahu

O governo espanhol do socialista Pedro Sánchez — uma das vozes europeias mais críticas ao governo de Benjamin Netanyahu desde que Israel lançou sua ofensiva contra Gaza em resposta ao ataque sem precedentes do Hamas palestino em 7 de outubro de 2023 — havia expressado sua "mais enérgica condenação" após a captura da flotilha.

Durante uma coletiva de imprensa on‑line na quinta‑feira, os organizadores afirmaram que vários barcos da flotilha (que inicialmente contava com mais de 50 embarcações) haviam sido interceptados em águas internacionais, a uma distância "sem precedentes" de Israel, e que "211 pessoas haviam sido sequestradas".

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Vários países com cidadãos a bordo da flotilha reagiram. Roma pediu a "libertação imediata" dos italianos e denunciou a prisão como "ilegal", enquanto Espanha, Turquia e Paquistão mencionaram "violações flagrantes do direito internacional" por parte de Israel.

Ao chegarem à Grécia, cerca de trinta participantes foram hospitalizados para "primeiros cuidados", segundo as autoridades gregas, que não forneceram mais detalhes.

Vídeos mostram militantes feridos; Hamas reage

A flotilha publicou na plataforma X vídeos mostrando vários militantes feridos, com marcas de golpes nos olhos e no nariz. "Tentamos impedir que eles mantivessem Thiago e Saif, e foi nesse momento que eles nos bateram", relatou um deles.

O Hamas denunciou essas supostas violências e incentivou os militantes internacionais a "prosseguir seus esforços para romper o cerco e expor os crimes da ocupação israelense contra nosso povo".

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Esta é a segunda tentativa da Flotilha Mundial Sumud ("resiliência", em árabe) de chegar à Faixa de Gaza.

Quem é Thiago Ávila

Thiago Ávila é um ativista brasileiro, economista e pesquisador, conhecido por sua atuação em causas sociais, ambientais e humanitárias. Ele integra redes internacionais de solidariedade e já participou de missões e campanhas voltadas à defesa de direitos humanos, incluindo ações relacionadas à Palestina.

Na "Flotilha para Gaza", Ávila atuou como um dos principais organizadores, coordenando voluntários e articulando a participação latino‑americana na iniciativa.

Com AFP

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