Bessent propõe notificações sobre segurança em IA entre EUA e China em conversas bilaterais

21 set 2026 - 09h46
Resumo
Autoridades dos EUA e da China encerraram negociações em Nova York, onde Washington propôs um mecanismo de notificação sobre segurança e riscos de inteligência artificial ligados à segurança nacional, que será avaliado na cúpula entre Donald Trump e Xi Jinping. O encontro também preparou terreno para a reunião presidencial e discutiu possíveis reduções tarifárias bilaterais em produtos não estratégicos, buscando ampliar a transparência e conter a escalada de tensões entre as potências.

O secretário do Tesouro dos EUA, ‌Scott Bessent, e o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, encerraram conversações em Nova York no domingo com a delegação norte-americana propondo um novo mecanismo de notificação sobre segurança em IA para ser analisado em reunião de cúpula esta semana do presidente dos EUA, Donald Trump, com o presidente chinês, Xi Jinping.

Bessent disse a repórteres que as duas partes discutiram a criação de um novo diálogo EUA-China sobre IA, com ênfase especial em questões de segurança nacional, ⁠por meio de um sistema de notificação para objetivos e ameaças comuns que abrangeria incidentes relacionados à IA que ‌atinjam o nível de segurança nacional.

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"Acreditamos que, assim como em qualquer atividade transfronteiriça, a transição de uma situação opaca para uma maior transparência entre a primeira e a segunda potências mundiais em IA é muito importante", disse ‌Bessent ao encerrar as negociações.

Trump e Xi discutiram pela primeira vez possíveis ‌consultas sobre o desenvolvimento da IA em maio, em Pequim, mas esse fórum nunca foi formalizado.

A resposta ⁠chinesa à proposta dos EUA não ficou clara, com um comunicado da agência de notícias estatal Xinhua reconhecendo apenas brevemente que ambos os lados falaram sobre IA.

A Xinhua descreveu que as autoridades tiveram "trocas francas, aprofundadas e construtivas sobre questões econômicas e comerciais fundamentais", incluindo a implementação de acordos alcançados em rodadas anteriores de consultas sobre comércio e investimento.

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"Obviamente, uma ou duas reuniões não podem resolver todas as questões, mas o fato de ambos os lados terem ‌concordado em continuar o diálogo é significativo", disse George Chen, sócio e presidente da área de Prática Digital da ‌consultoria The Asia Group, em Hong Kong.

"As ⁠negociações sobre IA entre os ⁠EUA e a China seguirão adiante, e espera-se que as futuras sessões abordem temas mais delicados, como o uso da IA ⁠para fins bélicos, princípios de segurança da IA, proteção de infraestruturas ‌críticas e prevenção de ataques cibernéticos."

Chen ‌acrescentou que as perspectivas de cooperação em IA permanecem limitadas devido ao baixo nível de confiança entre os dois países e à percepção de Pequim de que Washington busca conter o desenvolvimento da IA na China.

O vice-primeiro-ministro He e o principal negociador comercial da China, Li Chenggang, deixaram as negociações na sede ⁠do JPMorgan Chase , em Nova York, sem falar com a imprensa.

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O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que os controles de exportação dos EUA sobre chips sofisticados de IA e equipamentos de fabricação de chips não estavam na pauta das negociações sobre o mecanismo de IA.

Greer acrescentou que as discussões de domingo preparariam o terreno para uma "cúpula bem-sucedida" entre Trump e Xi na próxima quinta ‌e sexta-feira, em Washington.

"Esses são os dois países mais poderosos do mundo, seja no comércio ou na IA, e é imperativo que sejam capazes de trabalhar juntos. Isso não significa que não haja desafios na relação. Muitos ⁠deles são óbvios", disse Greer.

A reunião abordou outros temas importantes, incluindo planos para "operacionalizar" um processo acordado em maio para que cada lado identifique possíveis reduções tarifárias sobre produtos não estratégicos.

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Greer não identificou uma lista específica de produtos que poderiam passar por tais reduções, mas reiterou seu desejo por um "subconjunto relativamente pequeno de bens norte-americanos e chineses que possam ser comercializados de maneira equilibrada e que não sejam sensíveis".

Esses seriam considerados "uma categoria à parte".

Entre as exportações chinesas, os possíveis candidatos incluem "bens de consumo e itens de baixa tecnologia", disse ele, enquanto as exportações americanas que poderiam receber esse tratamento incluiriam energia, produtos agrícolas e dispositivos médicos, acrescentou.

Greer e Bessent não mencionaram nenhum avanço na melhoria do fluxo de minerais essenciais para empresas americanas, que, segundo autoridades dos EUA, ainda é insuficiente, apesar dos compromissos anteriores de Pequim de flexibilizar as restrições no âmbito da trégua comercial entre os EUA e a China do ano passado.

As discussões apontam para um progresso mais gradual na prevenção de uma escalada das tensões em uma relação comercial delicada que tem consequências importantes para a economia global.

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