Ataques contra serviços de saúde em zonas de conflito chegam a mais de quatro por dia em 2026, diz OMS

14 ago 2026 - 09h17

Ataques a unidades de ‌saúde, profissionais da área e pacientes em zonas de conflito, incluindo Ucrânia e Gaza, continuaram a aumentar em 2026, atingindo uma média de mais de quatro por dia, informou a Organização Mundial da Saúde nesta sexta-feira.

Houve mais de 900 ataques entre janeiro e agosto deste ano, resultando em pelo menos ⁠900 mortes e mais de 1.400 feridos, de acordo com dados da OMS ‌apresentados em Genebra por Altaf Musani, diretor de gestão humanitária e de desastres da agência.

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Ucrânia, Líbano e os territórios palestinos ocupados respondem pela maior ‌parcela dos incidentes relatados, embora também tenham sido ‌registrados ataques em países como Irã, Sudão, Mianmar, Síria, Nigéria e ⁠República Democrática do Congo, disse Musani.

"O que estamos testemunhando são múltiplas formas de violência", declarou Musani, citando o uso de armas pesadas, a destruição de unidades de saúde e a detenção ou sequestro de profissionais de saúde e pacientes. Durante esse período, 94 profissionais de saúde foram detidos.

Em Gaza, todos os ‌36 hospitais foram danificados e apenas cerca de metade permanece parcialmente funcional, enquanto ‌no Sudão 37% das ⁠unidades de saúde ⁠estão fora de funcionamento este ano, disse ele. Na Ucrânia, a OMS verificou mais de ⁠3.100 ataques desde a invasão em ‌grande escala da Rússia, incluindo ‌um ataque recente que atingiu um depósito da OMS.

"Um ataque à área da saúde não termina quando o ataque é confirmado", disse Musani. "É o paciente que não poderá receber atendimento médico amanhã. É a ambulância ⁠que não poderá fazer o próximo encaminhamento."

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Um estudo da OMS sobre 69 ataques no noroeste da Síria constatou que as consultas ambulatoriais caíram 51% imediatamente após um ataque e permaneceram em baixa por mais de um mês.

Os ataques também podem prejudicar as respostas ‌a surtos de doenças, segundo Musani. Na República Democrática do Congo, 12 ataques comprovados contra serviços de saúde desde que um surto de Ebola foi ⁠declarado em maio interromperam os esforços de vigilância, rastreamento de contatos, tratamento e assistência comunitária. Tais incidentes tornam mais difícil detectar e conter surtos, afirmou ele.

Os 156 ataques confirmados na Ucrânia até agora neste ano, de um total de 3.100 desde o início da invasão em grande escala da Rússia, afetaram hospitais, ambulâncias, depósitos e cadeias de abastecimento médico, disse Musani.

Desde que o sistema de vigilância da OMS começou a monitorar esses incidentes em 2018, mais de 10.400 ataques foram confirmados em 29 países e territórios, resultando em cerca de 5.700 mortes e mais de 8.500 feridos, de acordo com Musani.

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Ele disse que nenhum dos mais de 10.000 ataques confirmados havia entrado, até o momento, em um processo de responsabilização.

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