Às vésperas da visita de Xi aos EUA, esmagadoras de soja da China enfrentam custos altos e margens reduzidas

7 set 2026 - 12h36
(atualizado às 13h10)
Resumo
Processadoras privadas de soja na China enfrentam altos custos, estoques escassos do Brasil e margens negativas, pressionadas pela queda na demanda de ração e tarifas de 10% sobre o grão dos EUA. Com a oferta sul-americana no fim, o setor depende da visita de Xi Jinping a Washington para obter alívio tarifário e viabilizar compras norte-americanas. Contudo, mesmo sem tarifas, analistas apontam margens desfavoráveis aos preços atuais, mantendo a operação das usinas sob forte incerteza.

As empresas privadas de processamento de soja da ‌China enfrentam um aperto de oferta para o quarto trimestre, o que eleva os custos, à medida que os estoques diminuem no Brasil, principal exportador da commodity, e as tarifas mantêm as cargas dos EUA praticamente fora de alcance.

A maior indústria de processamento de oleaginosas do mundo já está sob pressão devido às margens negativas e à queda na demanda por ração devido à diminuição do rebanho suíno da China. Os processadores esperam que a visita do presidente Xi Jinping a Washington neste mês leve Pequim a reduzir a tarifa de importação de 10% ⁠sobre produtos agrícolas dos EUA.

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O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, disse na quinta-feira que ambos os países fariam "alguns anúncios sobre agricultura e barreiras ‌não tarifárias" durante a cúpula, sem fornecer detalhes.

"Conforme a América do Sul se aproxima do fim de sua safra, as usinas privadas precisarão de acesso à soja dos EUA", disse Johnny Xiang, fundador da AgRadar Consulting, com sede em Pequim.

"Isso dependerá da redução das tarifas ou, caso ‌isso não ocorra, dos leilões das reservas da Sinograin para manter suas usinas em ‌operação", disse ele, referindo-se à empresa estatal chinesa de estocagem.

Qualquer alívio, no entanto, permanece incerto.

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"Não estamos considerando a soja dos EUA ⁠por causa das tarifas", disse um processador com sede na China. "Se as tarifas forem reduzidas, recalcularemos as margens de processamento para avaliar se os carregamentos dos EUA seriam lucrativos."

As tradings estatais chinesas compraram cerca de 11 milhões de toneladas de soja dos EUA após a reunião de Xi com o presidente dos EUA, Donald Trump, em maio, segundo operadores. As usinas privadas, no entanto, têm evitado em grande parte as cargas norte-americanas devido às tarifas.

A Reuters solicitou comentários ao Ministério do Comércio da China.

PREÇOS EM ALTA, MARGENS NEGATIVAS

Os futuros de referência da soja dos EUA ‌subiram quase 12% em relação às mínimas de junho, impulsionados pelas condições climáticas adversas nos EUA, pelas compras estatais chinesas e pelas expectativas de que ‌o fenômeno El Niño possa reduzir a oferta ⁠global.

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A soja brasileira para embarque em ⁠novembro foi cotada com um prêmio de US$3,15 a US$3,20 por bushel em relação ao contrato de soja para novembro da Bolsa de Chicago, incluindo custo ⁠e frete para a China. Cargas comparáveis do Golfo dos EUA foram oferecidas a ‌US$3,20 a US$3,25 por bushel, excluindo tarifas.

Embora a ‌soja dos EUA esteja com preços acima dos produtos brasileiros, os compradores esperam que a colheita norte-americana nas próximas semanas aumente a disponibilidade e exerça pressão sobre os preços.

"O preço final da soja dos EUA permanece altamente incerto, já que ainda não surgiram consultas de compra em grande escala da China", disse Xiang.

A próxima safra do Brasil só está prevista para o início de 2027.

Mesmo ⁠sem a tarifa de 10%, as importações de soja dos EUA para embarque entre outubro e janeiro gerariam margens de esmagamento negativas aos preços atuais, de acordo com Rosa Wang, analista da Shanghai JC Intelligence Co., e outros três operadores e analistas.

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"As margens teóricas de esmagamento para a soja brasileira e norte-americana, excluindo uma tarifa adicional de 10%, estavam entre 150 e 230 iuanes (US$22,35 a US$34,27) por tonelada no vermelho para embarques de outubro a dezembro", disse Wang.

Espera-se que o rebanho suíno da ‌China diminua no quarto trimestre, à medida que Pequim intensifica os esforços para reduzir estoques e limitar o peso dos suínos, em uma tentativa de estabilizar um mercado com excesso de oferta.

Os importadores já concluíram em grande parte as compras de outubro e reservaram 4,8 ⁠milhões de toneladas para novembro, cerca de 60% da demanda projetada, enquanto as compras para dezembro e janeiro mal começaram, disseram dois operadores baseados na Ásia.

OFERTA BRASILEIRA LIMITADA

O Brasil tem espaço limitado para aumentar as vendas para a China no quarto trimestre devido à demanda de outros compradores e à forte atividade de esmagamento no mercado interno, disseram dois analistas brasileiros.

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Os produtores brasileiros haviam vendido 82% da safra 2025/26 até o final de julho, contra 78% no ano anterior, e esse número provavelmente está próximo de 85% agora, segundo o analista Rafael Silveira, da Safras & Mercado.

As usinas brasileiras têm competido com os exportadores, chegando, às vezes, a pagar preços acima da paridade de exportação, disse ele.

Os embarques de soja do Brasil para a China até 25 de agosto ficaram 2,6 milhões de toneladas abaixo do registrado no ano anterior, enquanto os embarques para outros destinos aumentaram em 6 milhões de toneladas, disse Eduardo Vanin, estrategista sênior de agricultura da Marex em Curitiba.

A Argentina forneceu 7,9 milhões de toneladas adicionais de soja à China em 2025, um aumento de 92,4% em relação a 2024, de acordo com dados da alfândega chinesa. Mas espera-se que esse estoque de segurança diminua em 2026, na ausência de incentivos de política semelhantes.

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