Após visita da CIA, Rússia nega intenção de atacar Otan

'Essas notícias não têm a ver com a realidade', disse porta-voz

27 ago 2026 - 09h27
(atualizado às 09h52)
Resumo
A Rússia negou qualquer intenção de atacar países da Otan após a visita a Moscou do diretor da CIA, John Ratcliffe, que teria ido alertar o Kremlin contra incursões militares no leste europeu. O porta-voz Dmitry Peskov classificou os relatos como alarmistas e distorções da realidade, acusando a Europa de agressividade. Já o serviço de inteligência russo descreveu o encontro com a autoridade norte-americana como uma reunião rotineira de trabalho sobre temas confidenciais.

O governo da Rússia negou nesta quinta-feira (27) que tenha intenção de atacar países-membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Putin estaria cogitando ampliar ofensiva na Ucrânia
Putin estaria cogitando ampliar ofensiva na Ucrânia
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

O posicionamento chega após o diário americano The Wall Street Journal publicar que a viagem surpresa do diretor da Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos, John Ratcliffe, a Moscou teve como objetivo advertir contra uma eventual incursão militar contra a aliança.

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No entanto, segundo o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, essas notícias "não têm a ver com a realidade" e são apenas "espantalhos" para causar medo.

"Há muitas histórias alarmistas desse tipo sendo publicadas agora, mas elas não têm nada a ver com as intenções da Federação Russa", acrescentou. Segundo Peskov, é a Rússia que enfrenta uma "política muito agressiva por parte dos países europeus".

"Especulações em contrário são uma distorção da realidade e simplesmente notícias infundadas, nada mais. Não precisamos de escalada militar porque já estamos avançando", concluiu o porta-voz.

De acordo com o Wall Street Journal, Ratcliffe foi a Moscou na última terça (25) com o objetivo de alertar a Rússia para não atacar a Otan, em meio a rumores de que o regime de Vladimir Putin poderia lançar uma ação militar limitada para "testar a determinação" da aliança em defender seu território.

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Os principais países na mira seriam Estônia, Letônia e Lituânia, ex-repúblicas soviéticas que integram a Otan e a União Europeia e fazem fronteira com a Rússia. Também especula-se que Moscou pode estar preparando um aumento da ofensiva contra a Ucrânia, diante do impasse nas negociações para encerrar o conflito.

Segundo o site americano Politico, Ratcliffe ainda teria pedido que o governo russo reduza seu apoio militar e econômico ao Irã. Já Sergey Naryshkin, diretor do Serviço de Inteligência Externa (SVR) da Rússia, assegurou que o encontro com o chefe da CIA foi uma "reunião de trabalho", sem "nada de insólito".

"Discutimos uma série de questões relativas aos serviços de inteligência e, como vocês sabem, esses assuntos são delicados e particulares", declarou. A última visita de um diretor da CIA a Moscou de que se tem notícia havia sido no fim de 2021, com William Burns, como parte das tentativas de dissuadir Putin de atacar a Ucrânia, que seria invadida em fevereiro do ano seguinte.

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