Os rebeldes houthis intensificaram os ataques contra a Arábia Saudita, atingindo aeroportos e instalações petrolíferas da Aramco em Riade e Dhahran, com saldo de feridos e alertas de novas ofensivas. Em resposta, a coalizão saudita bombardeou a capital iemenita, Sanaa. A escalada do conflito, a mais grave desde 2015, preocupa o FMI pelo risco de alta nos preços globais de petróleo, já afetados pela instabilidade em rotas estratégicas como os estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb.
Os houthis do Iêmen afirmaram, nesta quarta-feira, ter bombardeado a companhia petrolífera saudita Aramco em Dhahran, no leste do reino, bem como o aeroporto e uma refinaria na capital, Riade, sem especificar a data dos ataques.
"As operações contra o coração do território saudita continuarão nos próximos dias, tendo como alvo aeroportos e instalações petrolíferas do inimigo saudita, e as consequências serão severas", declarou o porta-voz militar do movimento pró-Irã, Yahya Saree.
A Defesa Civil saudita emitiu alertas sobre um "perigo" em Riade e em Al-Kharj, região a sudeste da capital que abriga uma base aérea. Quatro pessoas, incluindo uma criança, ficaram feridas por estilhaços de mísseis.
Há mais de uma semana, Riade vem sofrendo bombardeios diários sem precedentes perpetrados pelos houthis. No sábado (10), ataques ao aeroporto deixaram 13 mortos e centenas de feridos. A maioria dos ataques visava principalmente infraestruturas situadas nos arredores da capital. No entanto, os bombardeios parecem agora se aproximar do centro da cidade.
As hostilidades não dão trégua: na terça-feira, a Riade respondeu atacando a capital iemenita, Sanaa, controlada por combatentes antigovernamentais que, por sua vez, visaram alvos em todo o território do reino. Nesta quarta-feira, a coalizão militar liderada pela Arábia Saudita, que apoia o governo iemenita contra os houthis, informou ter interceptado um míssil disparado em direção a Riade.
Preocupação com efeito dominó na economia
O Fundo Monetário Internacional (FMI) manifestou preocupação com o fato de que os ataques contra a Arábia Saudita poderiam ter repercussões para as populações de "todo o mundo", ao elevar ainda mais os preços dos hidrocarbonetos.
Maior exportadora mundial de petróleo bruto e maior economia do Oriente Médio, a Arábia Saudita tem sido abalada pelas recentes ofensivas houthis, sobretudo porque o reino já paga o preço dos conflitos na região, em particular devido ao bloqueio imposto pelo Irã ao estratégico Estreito de Ormuz.
No Iêmen, apesar dos ataques aéreos sauditas, as forças governamentais têm dificuldade em retomar territórios conquistados pelos combatentes pró-Irã, que intensificaram o cerco a Taiz, a terceira maior cidade do país.
As ofensivas realizadas pelos houthis contra Riade são as mais intensas desde que a coalizão militar liderada pela Arábia Saudita entrou na guerra do Iêmen, em 2015. O conflito, que havia passado por uma trégua em 2022, foi retomado em julho, em meio às tensões no Oriente Médio.
Em setembro, após uma ofensiva relâmpago, os houthis tomaram o litoral iemenita no Mar Vermelho, reforçando seu controle sobre o estratégico estreito de Bab el-Mandeb.
Com AFP