Guerra com o Irã: apesar do cessar-fogo, o conflito continua a custar caro aos Estados Unidos

Embora o anúncio de uma trégua de duas semanas suspenda temporariamente a escalada de violência no Oriente Médio, o custo de mais de cinco semanas de guerra contra o Irã já atingiu dezenas de bilhões de dólares para os Estados Unidos.

9 abr 2026 - 10h44

Aurore Lartigue, da RFI.

Os destroços do que as autoridades iranianas afirmam ser um helicóptero militar americano que caiu durante uma missão de resgate do piloto americano desaparecido de um F-15E abatido no início desta semana. Foto fornecida às agências de notícias pelo Ministério da Cultura e Orientação Islâmica do Irã.
Os destroços do que as autoridades iranianas afirmam ser um helicóptero militar americano que caiu durante uma missão de resgate do piloto americano desaparecido de um F-15E abatido no início desta semana. Foto fornecida às agências de notícias pelo Ministério da Cultura e Orientação Islâmica do Irã.
Foto: Handout via Getty Images - Handout / RFI

Apesar do cessar-fogo, a conta cresce a uma taxa superior a US$ 11.000 por segundo. Criada por organizações contrárias ao conflito no site Iran War Cost Tracker, a ferramenta se baseia em estimativas do Pentágono elaboradas nos primeiros dias da guerra: US$ 11,3 bilhões para os primeiros seis dias e cerca de mais US$ 1 bilhão para cada dia subsequente.

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Mas, com o cessar-fogo de quinze dias anunciado na terça-feira (7), esse cálculo torna-se menos relevante. Embora a conta já colossal continue a aumentar para os contribuintes americanos, a suspensão das operações militares contra o Irã deverá, ao menos temporariamente, travar a escalada dos custos. "Uma grande parte das despesas terminará com o cessar-fogo, uma vez que o item mais caro é a munição, e não a utilizaremos mais", explica Mark Cancian, consultor do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS). Outra grande fonte de despesas são perdas e danos sofridos pelas Forças Armadas dos EUA — aeronaves abatidas, equipamentos destruídos, bases danificadas —, que também cessam com o fim das hostilidades.

Aproximadamente US$ 500 milhões por dia

Com a Operação Epic Fury, lançada em 28 de fevereiro, os Estados Unidos embarcaram em um conflito particularmente caro contra o Irã, cujo custo até agora se aproxima de US$ 500 milhões por dia, segundo o CSIS. Mark Cancian estima o custo total da guerra nessa fase em aproximadamente US$ 28 bilhões, incluindo operações, munições, perdas materiais e o destacamento inicial em terra.

Esse valor é significativamente menor do que o total divulgado online, que era de US$ 44 bilhões no momento do cessar-fogo. Essa diferença pode ser explicada pelo fato de que o custo diário da guerra diminuiu à medida que o conflito avançava.

De acordo com estimativas do Modelo Orçamentário Penn Wharton, os primeiros seis dias representaram a maior parte das despesas, com um custo médio de mais de US$ 2 bilhões por dia, devido ao uso massivo de munições de alta precisão, particularmente caras. Entre elas, mísseis Tomahawk, a quase US$ 3,5 milhões cada; interceptores antimísseis SM‑3 e SM‑6, que custam de US$ 4 milhões a US$ 5 milhões cada; e bombas guiadas AGM‑154. Segundo esse programa de pesquisa econômica da Universidade da Pensilvânia, esses equipamentos foram usados "às centenas" no início do conflito. Posteriormente, as Forças Armadas dos EUA passaram a empregar munições mais baratas, principalmente kits JDAM, e os lançamentos de mísseis balísticos iranianos diminuíram, reduzindo significativamente os gastos americanos com defesa antimíssil.

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Em seus cálculos, o CSIS inclui equipamentos danificados ou destruídos. Entre as despesas mais significativas provavelmente estão os reparos no porta-aviões USS Gerald R. Ford, observou o Financial Times.

Também foi divulgada a foto de um E‑3 Sentry, uma aeronave de vigilância frequentemente chamada de AWACS, destruída em 27 de março por um ataque iraniano a uma base aérea na Arábia Saudita. Seu valor: US$ 700 milhões.

Danos às bases americanas

Os danos às bases americanas no Golfo e a seus equipamentos representam outra despesa significativa. Isso inclui dois sistemas de radar danificados na Jordânia e no Catar, bem como sistemas de comunicação e infraestrutura. Esses números ainda estão sendo atualizados, pois agora há imagens aéreas que permitem avaliar melhor a extensão dos danos, explica Mark Cancian.

Nos últimos dias, a espetacular operação de resgate de um piloto americano cujo F‑15E foi abatido por forças iranianas também chamou a atenção, mobilizando mais de 150 aeronaves. O custo desse resgate é desconhecido.

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Além desse F‑15E, várias aeronaves foram perdidas desde o início do conflito, incluindo um A‑10, dois C‑130 e vários helicópteros, totalizando aproximadamente US$ 500 milhões, segundo Mark Cancian.

Gastos invisíveis também continuam se acumulando. Com o cessar-fogo, o custo diário do conflito deverá cair para cerca de US$ 100 milhões por dia, segundo estimativas de especialistas, valor correspondente à manutenção das forças na região. Essa presença militar já estava parcialmente prevista no orçamento, mas tornou-se ainda mais cara devido à intensidade das operações e à sua continuidade fora do território nacional.

Cálculos não incluem a alta dos preços dos combustíveis

Essas estimativas, no entanto, cobrem apenas parte da conta. "Estamos considerando apenas o orçamento do Pentágono", destaca Mark Cancian. Em outras palavras, não são levados em conta nem os gastos de outras agências federais, como o Departamento de Segurança Interna, nem os efeitos econômicos indiretos, como o aumento dos preços dos combustíveis.

Mais importante ainda, os custos de longo prazo estão ausentes desses cálculos. Mesmo após o fim definitivo da guerra, as despesas continuarão: assistência aos veteranos, pensões por invalidez — mais de 370 soldados americanos haviam sido feridos até o início de abril — e juros da dívida contraída para financiar o conflito.

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A isso se soma a necessidade de reabastecer os estoques de armas. Em 4 de abril, o presidente dos EUA, Donald Trump, solicitou um aumento de mais de 40% no orçamento de defesa para 2027, com o objetivo de modernizar as Forças Armadas e reabastecer as munições.

Nos conflitos no Iraque e no Afeganistão — e, de forma mais ampla, nas guerras travadas pelos Estados Unidos desde 11 de setembro de 2001 —, o custo ultrapassou US$ 8 trilhões quando se consideram os custos de longo prazo, de acordo com o Projeto Custos da Guerra da Universidade Brown.

Para atender a essas necessidades, a Casa Branca está preparando um pedido de financiamento adicional ao Congresso. Inicialmente estimado em € 200 bilhões, agora espera-se que seja menor. No entanto, esse financiamento não cobre apenas o custo da guerra atual: inclui também a reposição dos estoques de munição e o aumento da capacidade de produção, com o objetivo de preparar o país para possíveis conflitos futuros.

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