Aurore Lartigue, da RFI.
Apesar do cessar-fogo, a conta cresce a uma taxa superior a US$ 11.000 por segundo. Criada por organizações contrárias ao conflito no site Iran War Cost Tracker, a ferramenta se baseia em estimativas do Pentágono elaboradas nos primeiros dias da guerra: US$ 11,3 bilhões para os primeiros seis dias e cerca de mais US$ 1 bilhão para cada dia subsequente.
Mas, com o cessar-fogo de quinze dias anunciado na terça-feira (7), esse cálculo torna-se menos relevante. Embora a conta já colossal continue a aumentar para os contribuintes americanos, a suspensão das operações militares contra o Irã deverá, ao menos temporariamente, travar a escalada dos custos. "Uma grande parte das despesas terminará com o cessar-fogo, uma vez que o item mais caro é a munição, e não a utilizaremos mais", explica Mark Cancian, consultor do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS). Outra grande fonte de despesas são perdas e danos sofridos pelas Forças Armadas dos EUA — aeronaves abatidas, equipamentos destruídos, bases danificadas —, que também cessam com o fim das hostilidades.
Aproximadamente US$ 500 milhões por dia
Com a Operação Epic Fury, lançada em 28 de fevereiro, os Estados Unidos embarcaram em um conflito particularmente caro contra o Irã, cujo custo até agora se aproxima de US$ 500 milhões por dia, segundo o CSIS. Mark Cancian estima o custo total da guerra nessa fase em aproximadamente US$ 28 bilhões, incluindo operações, munições, perdas materiais e o destacamento inicial em terra.
Esse valor é significativamente menor do que o total divulgado online, que era de US$ 44 bilhões no momento do cessar-fogo. Essa diferença pode ser explicada pelo fato de que o custo diário da guerra diminuiu à medida que o conflito avançava.
De acordo com estimativas do Modelo Orçamentário Penn Wharton, os primeiros seis dias representaram a maior parte das despesas, com um custo médio de mais de US$ 2 bilhões por dia, devido ao uso massivo de munições de alta precisão, particularmente caras. Entre elas, mísseis Tomahawk, a quase US$ 3,5 milhões cada; interceptores antimísseis SM‑3 e SM‑6, que custam de US$ 4 milhões a US$ 5 milhões cada; e bombas guiadas AGM‑154. Segundo esse programa de pesquisa econômica da Universidade da Pensilvânia, esses equipamentos foram usados "às centenas" no início do conflito. Posteriormente, as Forças Armadas dos EUA passaram a empregar munições mais baratas, principalmente kits JDAM, e os lançamentos de mísseis balísticos iranianos diminuíram, reduzindo significativamente os gastos americanos com defesa antimíssil.
Em seus cálculos, o CSIS inclui equipamentos danificados ou destruídos. Entre as despesas mais significativas provavelmente estão os reparos no porta-aviões USS Gerald R. Ford, observou o Financial Times.
Também foi divulgada a foto de um E‑3 Sentry, uma aeronave de vigilância frequentemente chamada de AWACS, destruída em 27 de março por um ataque iraniano a uma base aérea na Arábia Saudita. Seu valor: US$ 700 milhões.
Danos às bases americanas
Os danos às bases americanas no Golfo e a seus equipamentos representam outra despesa significativa. Isso inclui dois sistemas de radar danificados na Jordânia e no Catar, bem como sistemas de comunicação e infraestrutura. Esses números ainda estão sendo atualizados, pois agora há imagens aéreas que permitem avaliar melhor a extensão dos danos, explica Mark Cancian.
Nos últimos dias, a espetacular operação de resgate de um piloto americano cujo F‑15E foi abatido por forças iranianas também chamou a atenção, mobilizando mais de 150 aeronaves. O custo desse resgate é desconhecido.
Além desse F‑15E, várias aeronaves foram perdidas desde o início do conflito, incluindo um A‑10, dois C‑130 e vários helicópteros, totalizando aproximadamente US$ 500 milhões, segundo Mark Cancian.
Gastos invisíveis também continuam se acumulando. Com o cessar-fogo, o custo diário do conflito deverá cair para cerca de US$ 100 milhões por dia, segundo estimativas de especialistas, valor correspondente à manutenção das forças na região. Essa presença militar já estava parcialmente prevista no orçamento, mas tornou-se ainda mais cara devido à intensidade das operações e à sua continuidade fora do território nacional.
Cálculos não incluem a alta dos preços dos combustíveis
Essas estimativas, no entanto, cobrem apenas parte da conta. "Estamos considerando apenas o orçamento do Pentágono", destaca Mark Cancian. Em outras palavras, não são levados em conta nem os gastos de outras agências federais, como o Departamento de Segurança Interna, nem os efeitos econômicos indiretos, como o aumento dos preços dos combustíveis.
Mais importante ainda, os custos de longo prazo estão ausentes desses cálculos. Mesmo após o fim definitivo da guerra, as despesas continuarão: assistência aos veteranos, pensões por invalidez — mais de 370 soldados americanos haviam sido feridos até o início de abril — e juros da dívida contraída para financiar o conflito.
A isso se soma a necessidade de reabastecer os estoques de armas. Em 4 de abril, o presidente dos EUA, Donald Trump, solicitou um aumento de mais de 40% no orçamento de defesa para 2027, com o objetivo de modernizar as Forças Armadas e reabastecer as munições.
Nos conflitos no Iraque e no Afeganistão — e, de forma mais ampla, nas guerras travadas pelos Estados Unidos desde 11 de setembro de 2001 —, o custo ultrapassou US$ 8 trilhões quando se consideram os custos de longo prazo, de acordo com o Projeto Custos da Guerra da Universidade Brown.
Para atender a essas necessidades, a Casa Branca está preparando um pedido de financiamento adicional ao Congresso. Inicialmente estimado em € 200 bilhões, agora espera-se que seja menor. No entanto, esse financiamento não cobre apenas o custo da guerra atual: inclui também a reposição dos estoques de munição e o aumento da capacidade de produção, com o objetivo de preparar o país para possíveis conflitos futuros.