'A bola está no campo da América': Irã pode aceitar acordo nuclear se EUA retirarem sanções

Enquanto os Estados Unidos e a República Islâmica do Irã não mantêm relações diplomáticas desde 1980 e Donald Trump retirou seu país do acordo nuclear iraniano negociado por Barack Obama em seu primeiro mandato, o presidente norte-americano afirma, no entanto, que seu país está em discussões diretas com o Irã. O ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, afirmou nesta terça-feira (8) que um acordo poderia ser alcançado com os EUA, caso tivessem a "vontade necessária".

8 abr 2025 - 10h18
(atualizado em 9/4/2025 às 15h29)

Enquanto os Estados Unidos e a República Islâmica do Irã não mantêm relações diplomáticas desde 1980 e Donald Trump retirou seu país do acordo nuclear iraniano negociado por Barack Obama em seu primeiro mandato, o presidente norte-americano afirma, no entanto, que seu país está em discussões diretas com o Irã. O ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, afirmou nesta terça-feira (8) que um acordo poderia ser alcançado com os EUA, caso tivessem a "vontade necessária".

Esta combinação de imagens mostra o presidente Donald Trump, à esquerda, fazendo um discurso durante uma sessão conjunta do Congresso no Capitólio em Washington, em 4 de março de 2025, e uma foto fornecida pelo Escritório do Líder Supremo Ayatollah Ali Khamenei, participando de uma cerimônia em Teerã, Irã, em 8 de março de 2025. (Foto AP/Ben Curtis - Escritório do Líder Supremo Iraniano via AP)
Esta combinação de imagens mostra o presidente Donald Trump, à esquerda, fazendo um discurso durante uma sessão conjunta do Congresso no Capitólio em Washington, em 4 de março de 2025, e uma foto fornecida pelo Escritório do Líder Supremo Ayatollah Ali Khamenei, participando de uma cerimônia em Teerã, Irã, em 8 de março de 2025. (Foto AP/Ben Curtis - Escritório do Líder Supremo Iraniano via AP)
Foto: AP / RFI

"Estamos tendo discussões diretas com o Irã. Elas começaram e continuarão no sábado (12) com uma grande reunião, e veremos o que acontecerá. Eu acho que todos concordarão que alcançar um acordo seria preferível à alternativa óbvia. E essa alternativa óbvia não é o que eu quero, nem o que Israel quer, se puder evitar. Vamos ver se conseguimos evitar isso", disse Donald Trump, que também afirmou que o Irã estará em "grande perigo" se as discussões não resultarem em um acordo.

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"Se a outra parte tiver a vontade necessária e suficiente, um acordo pode ser alcançado. No final, a bola está no campo da América", declarou Araghchi, segundo a agência oficial Irna, acrescentando que o "principal objetivo" de Teerã era a remoção das sanções.

No entanto, "se o Irã mantiver posições consideradas inaceitáveis pelos Estados Unidos - o que é provável -, estes provavelmente intensificarão a pressão das sanções", o que seria um fator para o aumento dos preços do petróleo, explicam os analistas da DNB Markets.

O Kremlin se manifestou nesta terça-feira favorável às "discussões diretas" entre Teerã e Washington sobre o programa nuclear iraniano, conforme anunciado pelo presidente norte-americano, Donald Trump, na véspera.

"Sabemos que alguns contatos diretos e indiretos estão previstos para ocorrer em Omã. E, claro, não podemos deixar de apoiar isso, pois isso pode levar a uma desescalada das tensões em torno do Irã", declarou o porta-voz da presidência russa, Dmitri Peskov, durante sua coletiva diária. "Dissemos várias vezes que apoiamos uma solução para os problemas do programa nuclear iraniano por meio de medidas políticas e diplomáticas", acrescentou.

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O Irã deve realizar nesta terça-feira em Moscou consultas sobre o mesmo assunto com seus parceiros próximos, a Rússia e a China.

A China pediu nesta terça-feira que os Estados Unidos demonstrassem "sinceridade" nas negociações que Washington deve realizar no sábado em Omã com o Irã sobre o programa nuclear.

"Sinceridade política"

"Como país que se retirou unilateralmente do acordo global (de Viena) sobre o programa nuclear iraniano e provocou a situação atual, os Estados Unidos devem demonstrar sinceridade política e respeito mútuo", declarou um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian.

Em 2018, durante seu primeiro mandato, o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou a retirada unilateral dos Estados Unidos do acordo de Viena, assinado em 2015 sob a liderança dos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, incluindo a China, durante a presidência de Obama.

Por sua vez, "a China continua mantendo contato com todas as partes envolvidas" visando uma "solução diplomática a curto prazo", assegurou Lin.

Washington deveria "encerrar sua prática equivocada de usar a força para exercer pressão máxima" em suas negociações, destacou o porta-voz.

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Os Estados Unidos recentemente intensificaram seus ataques aos rebeldes Houthi no Iêmen, aliados de Teerã, e alimentaram especulações sobre possíveis ataques ao Irã, caso nenhum acordo seja alcançado.

Teerã fala em "discussões indiretas"

O presidente norte-americano fez o anúncio ao receber na Casa Branca o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que partiu sem conseguir a redução das tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos ao seu país.

Após o anúncio de Donald Trump, Teerã confirmou sua posição. O ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, informou que "discussões de alto nível indiretas" ocorrerão no sábado em Omã. "É tanto uma oportunidade quanto um teste. A bola está no campo da América", escreveu Araghchi no X. 

A grande questão é saber quais serão as exigências norte-americanas. Washington pedirá a interrupção dos programas nucleares e também balísticos de Teerã? Nesse caso, segundo o correspondente da RFI no Irã, Siavosh Ghazi, Teerã já deixou claro que não aceitará tais exigências.

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Os Estados Unidos aumentaram sua presença militar na região, enviando uma dezena de bombardeiros B-2 Spirit, capazes de destruir as instalações nucleares iranianas enterradas sob montanhas.

(Com AFP)

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