25 anos após 11 de Setembro, norte-americanos temem mais extremistas domésticos do que ataques estrangeiros, aponta Reuters/Ipsos

8 set 2026 - 09h26
Resumo
Vinte e cinco anos após o 11 de Setembro, norte-americanos temem mais o extremismo doméstico (33%) do que o terrorismo estrangeiro (20%), segundo pesquisa Reuters/Ipsos. Atos de violência aleatória lideram as preocupações (42%), e 61% veem ameaça maior em radicais internos motivados por ideologia. O levantamento também indica forte desaprovação às guerras pós-atentados: a maioria considera que os conflitos no Afeganistão, Iraque e o recente confronto com o Irã não valeram o preço pago.

Vinte e cinco anos depois que os ‌ataques de 11 de Setembro concentraram os temores dos EUA nas ameaças vindas do exterior, os norte-americanos estão agora consideravelmente mais preocupados com ataques de extremistas domésticos do que com grupos estrangeiros, segundo pesquisa Reuters/Ipsos.

Quando questionados sobre qual seria a maior ameaça à segurança do cidadão norte-americano comum, 33% dos entrevistados escolheram o "terrorismo doméstico", enquanto 20% optaram pelo terrorismo estrangeiro ⁠e 42% apontaram atos aleatórios de violência, como tiroteios em massa, mostrou a pesquisa realizada ‌entre 28 e 31 de agosto.

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O quadro era bem diferente há uma década. Uma pesquisa Reuters/Ipsos de meados de 2013 mostrou que 21% dos norte-americanos consideravam o terrorismo doméstico a ‌principal ameaça, um número inferior aos 28% que apontaram ‌o terrorismo estrangeiro e aos 51% que escolheram atos aleatórios de violência.

Militantes estrangeiros da ⁠Al-Qaeda lançaram aviões contra o World Trade Center, em Nova York, e o Pentágono, nos arredores de Washington, em 11 de setembro de 2001, matando milhares de pessoas e desencadeando décadas de guerra, incluindo a invasão liderada pelos EUA ao Afeganistão, onde os líderes da Al-Qaeda estavam baseados.

A Al-Qaeda também inspirou o atentado à Maratona de Boston de 2013, no ‌qual dois irmãos nascidos no exterior mataram três pessoas e feriram mais de 260, com ‌uma quarta vítima fatal ocorrendo alguns ⁠dias depois.

MEDO DO ⁠EXTREMISMO INTERNO

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Mas os EUA também testemunharam muitos ataques de origem doméstica, incluindo o tiroteio em massa de ⁠2016 que matou 49 pessoas em uma boate ‌gay na Flórida e outros ataques ‌contra norte-americanos negros, latinos ou judeus. O próprio presidente Donald Trump enfrentou tentativas de assassinato, incluindo um ataque em 2024 que feriu sua orelha, e o ativista conservador Charlie Kirk foi morto a tiros em setembro de 2025 enquanto discursava para ⁠estudantes universitários em Utah.

Quando questionados sobre quais ataques motivados por ideologias representam a maior ameaça, 61% dos entrevistados na última pesquisa escolheram os extremistas domésticos e 34% escolheram os de fora do país.

O legado dos ataques de 11 de Setembro continua forte, segundo a pesquisa. Seis em cada dez pessoas afirmam pensar ‌periodicamente nos ataques e aproximadamente a mesma proporção diz que apoiaria uma resposta militar caso ocorresse outro ataque de grande magnitude.

Mas os norte-americanos não acreditam que as guerras que se ⁠seguiram ao 11 de Setembro tenham valido a pena. Cerca de 48% disseram que a guerra no Afeganistão não valeu o preço pago, em comparação com 21% que disseram que valeu, enquanto o restante não tinha certeza ou não respondeu à pergunta. A guerra no Iraque foi igualmente impopular, com 51% desaprovando e 21% aprovando.

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A desaprovação pública dessas guerras contribuiu para a ascensão de Trump, já que ele fez campanha com a promessa de evitar guerras prolongadas.

O próprio Trump iniciou uma guerra contra o Irã há seis meses que tem resistido aos esforços para uma resolução rápida. A pesquisa revelou que apenas 25% dos norte-americanos acham que o conflito valeu a pena, em comparação com 54% que acham que não valeu.

A pesquisa Reuters/Ipsos, realizada online, entrevistou 1.167 adultos norte-americanos em todo o país, com margens de erro entre 3 e 6 pontos percentuais.

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