Milei promete combater suposta rede de desinformação russa

4 abr 2026 - 10h02

Investigação baseada em documentos dos serviços secretos russos vazados revelou atuação de rede russa em campanha de desinformação contra governo argentino.O presidente da Argentina, Javier Milei, afirmou que seu governo irá "até as últimas consequências" no caso da campanha de desinformação na imprensa do país realizada por uma rede russa em colaboração com agentes locais.

"Vamos chegar até as últimas consequências para identificar todos os atores desta rede de espionagem ilegal", afirmou Milei
"Vamos chegar até as últimas consequências para identificar todos os atores desta rede de espionagem ilegal", afirmou Milei
Foto: DW / Deutsche Welle

"Vamos chegar até as últimas consequências para identificar todos os atores diretos e indiretos que participaram desta rede de espionagem ilegal", afirmou o mandatário em uma postagem nesta sexta-feira (03/04) na sua conta na rede social X (ex-Twitter).

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Uma investigação baseada em 76 documentos dos serviços secretos russos vazados para um consórcio internacional de jornalistas revelou que entre junho e outubro de 2024 a rede russa La Compañía pagou US$ 283 mil para a publicação de pelo menos 250 artigos em mais de 20 veículos de imprensa argentinos.

"Os 'jornalistas' e 'veículos' vinculados a isso são apenas a ponta do iceberg de algo muito maior", escreveu Milei, que avaliou o caso como sendo "de uma gravidade institucional poucas vezes vista na história".

Críticas à situação econômica

O conteúdo desses artigos consistia principalmente em críticas sobre a situação econômica da Argentina, o custo social e humano das medidas de austeridade fiscal do governo Milei e o aumento das tensões diplomáticas com governos da região, e incluíam referências favoráveis à Rússia e contrárias aos Estados Unidos.

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Segundo a investigação, muitos artigos incluíam distorções, exageros e notícias falsas, e alguns foram publicados sob identidades falsas.

Os documentos mostram que a rede La Compañía se dedicou também a contratar pesquisas e relatórios sobre questões militares, de energia, políticas e sindicais.

A existência desta rede havia sido comunicada em julho de 2025 pelo então porta-voz e atual chefe de gabinete do governo, Manuel Adorni, e foi confirmada nesta sexta-feira pela Secretaria de Inteligência de Estado (Side), que apontou que o propósito era "difundir informações falsas e influenciar a opinião pública argentina em benefício de interesses geopolíticos estrangeiros".

O escândalo, denunciado pela ex-ministra de Segurança Nacional e atual senadora pelo partido governista A Liberdade Avança, Patricia Bullrich, ganhou nesta sexta-feira outra denúncia na Justiça argentina por parte do advogado Jorge Monastersky.

Também hoje, a Embaixada da Rússia na Argentina afirmou em um comunicado que "não são apresentados fatos nem provas que respaldem essas insinuações".

"Lamentamos que as posturas ideológicas voltem a se impor ao senso comum e que o desejo de turvar as relações bilaterais prevaleça sobre a vontade de desenvolvê-las", diz a nota.

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Vínculos com inteligência russa e grupo Wagner

O líder de La Compañía foi identificado pelo governo argentino como Lev Konstantinovich Andriashvili, um cidadão russo radicado na Argentina, acusado de ser o encarregado de receber o financiamento e promover vínculos com colaboradores locais.

Os documentos vazados mostram vínculos claros entre a rede La Compañía, o serviço de inteligência exterior da Rússia (SVR) e o extinto grupo Wagner, do falecido comandante Yevgeny Prigozhin.

Prigozhin morreu em 2023 em um acidente aéreo dois meses após protagonizar um motim contra comandantes russos na Ucrânia e enquanto se mostrava em desacordo com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e as Forças Armadas russas estavam lidando com a guerra com o país vizinho.

md (EFE, ots)

A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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