Resumo
Eleito com menos de vinte anos no século XI por influência de sua poderosa família, Bento IX tornou-se o pontífice mais jovem e polêmico da história da Igreja Católica. Seu governo acumulou escândalos de corrupção, violência e até a venda do próprio cargo, resultando no fato inédito de assumir o trono papal por três vezes distintas. Essa trajetória caótica simboliza um dos períodos de maior crise moral e política vividos pelo papado medieval.
Durante o século XI, a Igreja Católica teve um de seus líderes mais jovens e controversos: Bento IX. Sua idade ao assumir o papado, em 1032, é motivo de divergência entre historiadores. Algumas fontes indicam que ele poderia ter entre 11 e 12 anos, enquanto outras estimam que estivesse próximo dos 20 quando ocupou pela primeira vez o trono de São Pedro.
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Durante o século XI, a Igreja Católica teve um de seus líderes mais jovens e controversos: Bento IX. Sua idade ao assumir o papado, em 1032, é motivo de divergência entre historiadores. Algumas fontes indicam que ele poderia ter entre 11 e 12 anos, enquanto outras estimam que estivesse próximo dos 20 quando ocupou pela primeira vez o trono de São Pedro.
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A data de nascimento de Bento IX é incerta. Batizado como Teofilatto de Túsculo, ele pertencia à poderosa família dos condes de Túsculo, de grande influência política e religiosa em Roma. Tornou-se o único homem a ocupar o papado em três períodos distintos.
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No século XI, o papado estava profundamente ligado às disputas políticas e ao poder das famílias aristocráticas de Roma. Clãs influentes buscavam controlar a escolha dos pontífices para ampliar seu prestígio e influência. Nesse cenário, interesses políticos e econômicos frequentemente se misturavam às questões religiosas.
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O pontificado de Bento IX ficou marcado por fortes controvérsias e acusações de corrupção e conduta considerada imoral. Relatos medievais, muitos escritos por seus adversários, apresentam uma imagem bastante negativa do papa. Sua família também foi acusada de usar o papado para ampliar poder, riqueza e influência em Roma.
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Bento IX pertencia a uma poderosa família aristocrática, com grande influência em Roma e na Igreja. Seu antecessor, João XIX, também era seu tio, o que evidencia a força política de sua família. Há relatos medievais de que sua ascensão ao papado teria envolvido compra de apoio, embora essas acusações sejam difíceis de comprovar.
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Bento IX foi acusado por adversários de abusos de poder e de manter uma vida considerada escandalosa. Em meio a revoltas, foi expulso de Roma e substituído por Silvestre III, mas recuperou o papado em 1045. Pouco depois, renunciou em favor de Giovanni Graziano, seu padrinho, que se tornou Gregório VI.
Foto: Papa Bento IX.- Divulgação
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Em 1045, Bento IX retomou o papado após a expulsão de Silvestre III, mas renunciou pouco tempo depois. Algumas fontes medievais associam sua decisão ao desejo de se casar, embora a versão seja controversa. Ele não foi o primeiro papa a renunciar: outros pontífices já haviam deixado o cargo anteriormente.
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Após renunciar, Bento IX voltou a reivindicar o papado, enquanto Gregório VI ocupava oficialmente o cargo e Silvestre III também mantinha sua pretensão ao trono. A disputa provocou uma situação inédita, com três homens reivindicando autoridade papal. A crise só seria resolvida com a intervenção do imperador Henrique III.
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Em 1046, o rei Henrique III, que seria coroado imperador pouco depois, convocou o Concílio de Sutri para solucionar a crise. Gregório VI foi afastado e Silvestre III teve sua reivindicação rejeitada; Bento IX nem sequer compareceu. Em seguida, Clemente II foi escolhido como novo papa.
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A crise envolvendo os três pretendentes ao papado terminou com a escolha de Clemente II, em 1046. Na época de Bento IX, ainda não existia o conclave nos moldes atuais, sistema que só seria desenvolvido posteriormente. Hoje, são os cardeais reunidos em conclave que elegem o papa, como ocorreu com Leão XIV em 2025.
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Na época, a escolha dos papas sofria forte influência das elites romanas; o conclave só seria formalizado no século XIII, após sucessivas crises na eleição pontifícia. Bento IX ainda retomou o papado após a morte de Clemente II, mas foi expulso em 1048. Posteriormente, enfrentou acusações de simonia e teria sido excomungado, embora seu destino final seja incerto.
Foto: Reprodução de arte "Misteri del Vaticano" de Franco Mistrali
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Os últimos anos da vida de Bento IX são pouco documentados, e a data de sua morte permanece incerta, sendo frequentemente situada por volta de 1055. Segundo a tradição, ele teria passado seus últimos anos na Abadia de Grottaferrata, perto de Roma. Também há relatos de que teria sido sepultado no local.