O Supremo Tribunal Federal alcançou a maioria de votos necessária para manter a prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A decisão ocorreu no âmbito do julgamento virtual da Segunda Turma, que analisa as medidas cautelares referentes à terceira fase da Operação Compliance Zero. O ministro André Mendonça, atual relator do caso, liderou o entendimento de que a liberdade do empresário representaria um risco à ordem pública e às investigações em curso. Em seu posicionamento, Mendonça foi contundente ao descrever a estrutura investigada pela Polícia Federal como uma "perigosa organização criminosa armada", justificativa que foi prontamente acompanhada pelos ministros Luiz Fux e Nunes Marques.
Relator aponta riscos de organização criminosa
A análise do colegiado marca um momento decisivo, sendo a primeira vez que as condutas ligadas ao Banco Master são avaliadas de forma conjunta por uma das turmas da Suprema Corte. Anteriormente, as decisões eram tomadas de maneira individual pelos relatores que passaram pelo processo. Ao fundamentar seu voto, André Mendonça rebateu as teses apresentadas pela defesa de Vorcaro, que buscava a revogação da prisão. O ministro destacou que as provas obtidas a partir de dispositivos eletrônicos apreendidos revelam uma articulação profunda e perigosa. Segundo ele, as mensagens extraídas do primeiro celular do banqueiro são suficientes para sustentar a custódia, independentemente da análise dos outros oito aparelhos que ainda passam por perícia técnica.
Mensagens revelam conexões com milicianos
Um dos pontos mais sensíveis destacados no relatório de Mendonça envolve o grupo de mensagens intitulado "A Turma". O ministro negou veementemente a argumentação da defesa de que se trataria de uma interação trivial em redes sociais. "Ressalta-se a identificação de mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e Phillipi Mourão, que registram a inclusão até mesmo de policial federal no grupo dos 'milicianos', por provocação de Daniel, que teria expressado à Phillipi sua opinião de que 'polícia às vezes não vai intimidar tanto'", pontuou o relator em seu texto. Para o magistrado, a organização mantém sua periculosidade em estado latente, uma vez que diversos integrantes do grupo ainda permanecem em liberdade, o que exige a manutenção das prisões de Fabiano Campos Zettel e Marilson Roseno da Silva.
Suspeição de Toffoli altera dinâmica da Turma
O julgamento também é marcado pela ausência do ministro Dias Toffoli, que se declarou suspeito por foro íntimo para atuar em processos ligados à Operação Compliance Zero. Toffoli, que era o relator original das investigações sobre fraudes bilionárias, deixou o caso após relatórios da Polícia Federal apontarem possíveis conexões entre ele e o banqueiro Daniel Vorcaro. O ministro informou ser sócio de uma empresa familiar que realizou transações comerciais com fundos ligados à empresa Reag, que possui vínculos com o dono do Banco Master. Com a declaração de suspeição, o quórum da Segunda Turma segue desfalcado, mas a maioria já formada sinaliza a manutenção do rigor jurídico sobre o caso até o encerramento do prazo de manifestação dos demais ministros.