O presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou, neste domingo (18), um artigo no jornal The New York Times sobre a intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela e a prisão de Nicolás Maduro. No texto, Lula afirma que o episódio representa "mais um capítulo lamentável na erosão contínua do direito internacional e da ordem multilateral estabelecida após a Segunda Guerra Mundial".
No artigo, o presidente argumenta que a utilização da força para solucionar conflitos prejudica a autoridade de organismos globais. Segundo Lula, "quando o uso da força para resolver disputas deixa de ser exceção e passa a ser regra, a paz, a segurança e a estabilidade globais ficam ameaçadas". Ele reforça que a construção de sociedades democráticas depende de normas coletivas, afirmando que "sem regras acordadas coletivamente, é impossível construir sociedades livres, inclusivas e democráticas".
O texto também destaca a posição estratégica da América Latina. O presidente afirma que a região possui interesses próprios e que "não seremos submissos a projetos hegemônicos". Sobre a soberania regional, Lula ressalta que "a América Latina e o Caribe abrigam mais de 660 milhões de pessoas. Temos nossos próprios interesses e sonhos a defender".
A postura do governo brasileiro gerou opiniões divididas no país. Uma pesquisa realizada pelo instituto Quaest, com 2.004 pessoas, aponta os seguintes dados:
-
51% dos entrevistados discordam do posicionamento de Lula sobre a ação norte-americana.
-
66% defendem que o governo brasileiro deveria manter neutralidade no caso.
-
A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
Lula afirma no artigo que "o futuro da Venezuela deve permanecer nas mãos de seu povo", defendendo que apenas um processo político inclusivo garantirá a estabilidade necessária para que refugiados venezuelanos retornem ao seu país de origem.
Após a operação que resultou na prisão de Maduro — acusado por Washington de liderar o "Cartel de los Soles" —, a gestão da Venezuela passou para a vice-presidente Delcy Rodríguez. Atualmente, ocorrem negociações para a abertura do mercado de petróleo da Venezuela a empresas dos Estados Unidos.
Apesar das críticas à intervenção, Lula menciona a manutenção do diálogo com Washington, afirmando que "somente juntos podemos superar os desafios que afligem um hemisfério que pertence a todos nós". O governo brasileiro também reforçou a fiscalização militar na fronteira e enviou ajuda humanitária com medicamentos para a região.