Dados do Censo 2022 mostram que o ônibus predomina no trajeto até o trabalho nas periferias de Porto Alegre, como na Restinga (61,7%), enquanto o carro lidera em áreas nobres e o Centro concentra deslocamentos a pé. Nesse contexto, as linhas transversais da Carris são cruciais para conectar bairros sem passar pela região central. Para atender à demanda da população mais afastada, a operação vem recebendo investimentos na modernização da frota e na ampliação de viagens diárias pela cidade.
Em Porto Alegre, quanto mais distante de algumas das áreas centrais da cidade, maior o peso do ônibus no deslocamento para o trabalho. É o que revela o Censo Demográfico 2022, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta segunda-feira (31). Segundo levantamento realizado pelo Observatório das Metrópoles de Porto Alegre, o transporte coletivo é o principal meio utilizado em 18 áreas de ponderação da Capital, com destaque para Restinga Velha/Pitinga, na Zona Sul, onde representa 61,7% dos deslocamentos, e Rubem Berta, na Zona Norte, com 58,5%.
Nas áreas mais afastadas, a predominância do ônibus ajuda a revelar uma cidade que precisa ser atravessada para chegar ao trabalho. É nesse ponto que ganham importância as linhas transversais, que conectam diferentes regiões sem ter o Centro como passagem obrigatória. Na Restinga e na Zona Sul, por exemplo, as linhas T12, T12A e T11 fazem ligações com outros eixos da Capital. No Rubem Berta, parte a linha T6. Também na Zona Norte, o Terminal Triângulo oportuniza viagens transversais, com as linhas T1, T4, T7 e T13, que atravessam diferentes regiões da cidade.
"O desafio da operação é fazer essas conexões funcionarem no dia a dia. A gente precisa olhar para os horários de maior movimento, para o comportamento da demanda e para os diferentes pontos de origem e destino. Uma linha transversal é importante principalmente para quem mora em regiões mais afastadas", afirma Jackson Rocha, gerente de Operações da Carris.
O mapa também mostra diferenças marcantes na forma como os porto-alegrenses se deslocam. Em 27 áreas de ponderação, o automóvel é predominante, chegando a 76,8% em Mont'Serrat/Bela Vista. No Centro Histórico, o único recorte em que caminhar aparece como principal meio de transporte, são 40,4%.
Os dados do IBGE consideram o meio de transporte no qual o trabalhador passa a maior parte do tempo durante o deslocamento até o trabalho. As áreas de ponderação são recortes territoriais utilizados para a divulgação dos dados do Censo e não correspondem necessariamente aos limites dos bairros.
A história das linhas que cruzam Porto Alegre
Criadas pela Carris em 1976, as primeiras linhas transversais - T1, T2, T3 e T4 - permitiram que passageiros se deslocassem de um bairro a outro sem precisar fazer baldeação na região central. A rede cresceu ao longo das décadas e hoje reúne linhas que conectam áreas residenciais a corredores de transporte, universidades e outros pontos de circulação da cidade. Em 2016, foram criadas T12, T12A, T12.1 e T13.
Atualmente, a companhia opera 21 linhas matriz e nove extensões ou variações de itinerários na Bacia Transversal. A empresa informa uma frota de 260 veículos e cerca de 150 mil passageiros transportados em dias úteis, percorrendo cerca de 50.000 km/dia para realização de mais de 2.430 viagens/dia. Desde a privatização, em janeiro de 2024, já foram investidos mais de R$ 100 milhões na renovação da frota.
A renovação dos veículos e a ampliação da oferta fazem parte de um movimento amplo de qualificação do transporte coletivo da Capital. A Prefeitura, por meio do Programa Mais Transporte, com adesão da Carris e da Associação dos Transportadores de Passageiros (ATPPOA), vem ampliando o número de viagens e modernizando os veículos para reduzir o tempo de espera e melhorar a experiência dos passageiros. Em 2026, foram acrescentadas 362 viagens diárias em dias úteis em todo o sistema, a partir de ajustes definidos com base em dados de demanda, ocupação dos veículos, regularidade e integração entre regiões.