Justiça manda Discord reforçar proteção de menores sob multa de R$ 100 mil por dia

Decisão obriga plataforma a ampliar controle de idade, supervisão parental e combate a conteúdos ligados a violência e automutilação

30 set 2026 - 16h04
(atualizado às 17h22)
Discord terá de suspender transmissões ao vivo no Brasil por determinação da ANPD
Discord terá de suspender transmissões ao vivo no Brasil por determinação da ANPD
Foto: Reprodução/Discord

A Justiça Federal determinou que o Discord adote uma série de medidas para reforçar a proteção de crianças, adolescentes e mulheres na plataforma. A decisão prevê multa diária de R$ 100 mil em caso de descumprimento das determinações.

A decisão é da 14ª Vara Federal Cível do Distrito Federal e atende parcialmente a um pedido da Advocacia-Geral da União (AGU), que entrou com uma ação civil pública contra a empresa em agosto.

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Entre as determinações estão medidas para impedir a recriação de servidores, canais e comunidades removidos, inclusive por usuários que tentem retornar à plataforma com novas contas. O Discord também deverá preservar por pelo menos seis meses registros relacionados às investigações.

A Justiça determinou ainda que a empresa demonstre como faz a verificação de idade dos usuários e adote providências para cumprir as regras de vinculação de contas de menores de 16 anos a seus responsáveis legais. A plataforma terá de comprovar também a existência e a eficácia de ferramentas de supervisão parental, configurações de segurança e controles de privacidade.

O Terra procurou o Discord e aguarda um posicionamento sobre a decisão. O espaço segue aberto para manifestação.

Canal de denúncias em português

A plataforma também terá de manter capacidade de atendimento, segurança e moderação em português no Brasil, além de representante legal e canal de denúncias no País.

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Outra determinação é a criação de protocolos para casos de "sextorsão" envolvendo crianças e adolescentes, com preservação de informações e comunicação às autoridades. O Discord deverá ainda adotar mecanismos contra aliciamento e recrutamento de menores para práticas que possam resultar em lesão grave ou morte.

Conteúdos relacionados a automutilação, suicídio e violência grave identificados pela plataforma também deverão ser preservados e comunicados às autoridades nas situações previstas pela decisão.

A ordem judicial inclui ainda conteúdos de maus-tratos, mutilação e crueldade contra animais nos mecanismos de avaliação e moderação quando houver risco para crianças e adolescentes. Segundo o governo, investigações identificaram o uso desse tipo de conteúdo como instrumento de integração e escalada de violência em determinados grupos.

Vista da sede da Advocacia-Geral da União (AGU), em Brasília (DF)
Foto: Divulgação / AGU

Ação cita morte de adolescente

A ação foi apresentada pela AGU em 25 de agosto. O órgão sustenta que o Discord apresenta falhas em mecanismos de verificação de idade e de proteção de usuários contra situações de risco. A iniciativa teve apoio técnico do Ministério da Justiça e Segurança Pública e da Polícia Federal.

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Entre os episódios citados está a morte de uma adolescente de 13 anos em julho. A AGU relaciona o caso às deficiências de proteção apontadas na ação. A decisão judicial, porém, ressalta que não é possível atribuir, neste momento do processo, responsabilidade direta do Discord pela morte.

Antes da decisão, houve uma tentativa de conciliação. A AGU considerou insuficiente a proposta apresentada pela plataforma e voltou a pedir à Justiça a adoção das medidas de urgência.

Nem todos os pedidos do governo foram aceitos. A Justiça não determinou, por exemplo, o monitoramento indiscriminado de comunicações privadas nem obrigou a empresa a manter uma sede física no Brasil. Também não acolheu, neste momento, a exigência de um sistema específico para interromper em tempo real transmissões relacionadas a automutilação, suicídio ou violência extrema.

Na ação principal, que continua em tramitação, a AGU também pede que o Discord seja condenado ao pagamento de R$ 500 milhões por danos morais coletivos.

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Fonte: Portal Terra
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