Israel estende detenção de ativista brasileiro de flotilha pró-Gaza

3 mai 2026 - 11h15

Tribunal prorrogou por dois dias detenção de Thiago Ávila e do ativista palestino-espanhol Saif Abukeshek, da flotilha Global Sumud, que tentava romper bloqueio naval israelense à Faixa de Gaza. O Tribunal de Magistrados de Ashkelon, cidade litorânea no sul de Israel, prorrogou por dois dias a detenção do ativista brasileiro Thiago Ávila e do ativista palestino-espanhol Saif Abukeshek, da flotilha pró-Gaza Global Sumud, informou à agência de notícias EFE o Adalah, centro jurídico que representa os dois integrantes da flotilha.

Ávila foi preso em flotilha em águas internacionais perto de Creta
Ávila foi preso em flotilha em águas internacionais perto de Creta
Foto: DW / Deutsche Welle

Cofundador do movimento ecológico Bem Viver no Brasil, Thiago Ávila havia sido detido e deportado por Israel no ano passado por tentar furar o bloqueio à Gaza em um barco com mais 11 pessoas.

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Na viagem barrada pelos israelenses em julho, a atuação de Ávila foi alvo de críticas de publicações pró-Israel, que destacaram negativamente a participação anterior do ativista no funeral de Hassan Nasrallah, o líder máximo do Hezbollah, e um discurso em um evento no Irã.

Promotor pediu mais quatro dias

Durante a audiência, o promotor do Estado israelense havia solicitado uma prorrogação de quatro dias da detenção dos ativistas, apresentando uma lista de supostos crimes.

Entre eles, "colaborar com o inimigo em tempos de guerra, contatar um agente estrangeiro, pertencer a uma organização terrorista e prestar-lhe serviços, e transferir bens para uma organização terrorista", relatou o Adalah em comunicado.

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"O uso por parte do Estado (israelense) dessas graves acusações relacionadas à segurança constitui uma medida de retaliação contra líderes ativistas humanitários", afirmou o centro jurídico a respeito do caso.

As advogadas do Adalah, Hadeel Abu Salih e Lubna Tuma, também argumentaram perante o tribunal que "todo o processo está repleto de irregularidades". Além disso, o centro contestou a decisão, afirmando que "não existe fundamento para a aplicação desses crimes a cidadãos estrangeiros em águas internacionais".

A conta oficial da Flotilha Global Sumud nas redes sociais exigiu a libertação imediata dos dois ativistas - que decidiram iniciar uma greve de fome - e pediu à sociedade civil que "continue pressionando" para alcançá-la.

Acusação de sequestro contra Israel

Cerca de 175 ativistas da flotilha Global Sumud, com 58 embarcações, que visava romper o bloqueio naval israelense à Faixa de Gaza, foram detidos na quinta-feira em cerca de 20 barcos em águas internacionais perto de Creta.

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Israel libertou todos os ativistas na Grécia após ter chegado a um acordo com as autoridades gregas, com exceção de Thiago Ávila, ativista brasileiro, e Saif Abu Keshek, cidadão espanhol de origem palestina, que chegaram na manhã de sábado a Ashkelon após permanecerem outros dois dias sob custódia naval.

Diversos coletivos de direitos humanos e o próprio governo da Espanha definiram a manobra das autoridades israelenses como um "sequestro", por executarem a operação em águas internacionais e a cerca de 1.200 quilômetros de Gaza.

Supostos mal-tratos

A organização Adalah afirmou que seus advogados se reuniram com os ativistas detidos na prisão de Shikma, em Ashkelon. Thiago Ávila relatou aos advogados ter sofrido "uma brutalidade extrema" quando os barcos foram interceptados.

"Foi arrastado de bruços pelo chão e foi agredido tão brutalmente que perdeu os sentidos duas vezes", acrescentou a ONG. Segundo a organização, o brasileiro contou que, desde que chegou a Israel, ficou "isolado e com os olhos vendados".

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Saif Abu Keshek também foi "amarrado pelas mãos e teve os olhos vendados", sendo "obrigado a permanecer deitado de bruços no chão desde o momento de sua detenção" até a chegada a Israel, informou o grupo.

Israel vincula ativistas a organização marxista

Por sua vez, o Ministério das Relações Exteriores de Israel afirma que Abukeshek e Ávila têm ligação com o grupo de esquerda marxista Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP), o segundo mais importante dentro da Organização para a Libertação da Palestina, depois do Fatah.

Após a notícia de que os cidadãos seriam levados a Israel em vez de serem libertados na Grécia, como o restante dos ativistas da Flotilha, os governos do Brasil e da Espanha já exigiram ontem sua libertação imediata.

md (EFE, Lusa, AFP)

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